O
Novo Testamento forma a Parte II da Bíblia. É ele uma antologia de vinte e sete
livros de várias dimensões, mas tem somente um terço do volume da Parte I, o
Antigo Testamento. (Antigo e Novo Testamento são designações cristãs, e não
judaicas, pois os judeus só aceitam como Escritura os livros do Antigo
Testamento.) Isso é compreensível, todavia, pois o Antigo Testamento cobre um
período de milhares de anos de história, mas o Novo Testamento menos de um
século. A fração do século I D. C., coberta pelo Novo Testamento, foi o período
crucial durante o qual, em conformidade com as crenças cristãs, começaram a ter
cumprimento as profecias messiânicas, foi realizado o divino plano da redenção
dos homens, por intermédio do encarnado Filho de Deus, Jesus Cristo, e o novel
povo de Deus, a Igreja, se formou e tudo isso estribado sobre o novo pacto, segundo
o qual Deus se ofereceu para perdoar os pecados daqueles que crêem em Jesus Cristo,
em virtude de Sua morte vicária.
O século VIII AC viu a
fundação de Roma, e no século V A.C. houve a organização de uma forma
republicana de governo ali sediada. Dois séculos de guerras com a cidade rival
de Cartago, na África do Norte, chegaram ao fim com a vitória romana (146
A.C.). As conquistas feitas na extremidade oriental a bacia do Mediterrâneo,
sob o comando de Pompeu, como também na Gália, por Júlio César. Expandiram o
domínio romano. Após o assassinato de Júlio César, Otávio, que mais tarde veio
a ser conhecido como Augusto, derrotou as forças de Antônio e Cleópatra, na
batalha naval de Ácio, na Grécia, em 31 A.C., tornando-se então o imperador de
Roma. Dessa maneira, pois, Roma passou de um período de expansão territorial
para outro, de paz, o que se tornou conhecido como Pax Romana. A província da Judéia
interrompeu essa tranquilidade mediante grandes revoltas, que os romanos
esmagaram nos anos de 70 e 135 D.C. Contudo, a unidade prevalente e a
estabilidade política do mundo civilizado sob a hegemonia de Roma facilitaram a
propagação do cristianismo, quando de seu aparecimento.
Os desmandos de Arquelau na Judéia,
em Samaria e na Iduméia provocaram sua remoção do ofício e seu banimento por
ordens de Augusto, em 6
D.C. Esses mesmos desmandos tinham sido a causa pela qual José, Maria e Jesus,
ao regressarem do Egito, tiveram de estabelecer-se em Nazaré da Galiléia, ao
invés de fazê-lo em Belém da Judéia (vide Mateus 2:21-23). Após a remoção de
Arquelau, o território passou a ser dirigido por governadores romanos, exceto
por breves períodos. Um desses governadores, Pôncio Pilatos, foi o juiz de
Jesus. Os governadores Félix e Festo ouviram a exposição do caso de Paulo (vide
Atos 23-26). E quando o governador Floro pilhou o tesouro do templo, isso foi o
estopim da revolta dos judeus, em 66-73 D.C. Devemo-nos
lembrar, entretanto, que a despeito dos Herodes e dos governadores romanos, o
sacerdócio judaico e o Sinédrio (uma modalidade de Tribunal Superior dos
Judeus) é que controlavam boa parte das questões locais que afetavam a vida
diária.
Alexandria contava com um bem
desenvolvido sistema escolar. A biblioteca da cidade continha acima de um
milhão de volumes. As escavações têm demonstrado que a cidade de Antioquia, na
Síria, dispunha de dois quilômetros e meio de ruas dotadas de colunas, pavimentadas
de mármore e com um completo sistema de iluminação noturna. As principais
cidades do império contavam com sistemas de esgotos subterrâneos. Havia banhos
públicos para todos: a admissão custava dez centavos. A princípio as pessoas
costumavam tomar um banho só por dia; mais tarde, entretanto, alguns já estavam
tomando quatro a sete banhos diários. Os banhos de chuveiro desde há muito
tinham sido inventados pelos gregos.
Na sociedade pagã as camadas sociais
eram vigorosamente
delineadas. Os aristocráticos proprietários de terras, os contratadores do governo
e outros indivíduos viviam no luxo. Não existia uma classe média forte, porquanto
os escravos é que perfaziam a maior parte do trabalho manual. Tornando-se mais
tarde dependente do sustento dado pelo governo, a classe média de tempos prévios
se transformara em uma turba sem lar e sem alimentos nas cidades. Uma estratificação
menor prevalecia na sociedade judaica, por causa da influência niveladora do
judaísmo. A grosso modo, no entanto, os principais sacerdotes e os rabinos
liderantes formavam a classe mais alta. Fazendeiros, artesãos e pequenos
negociantes compreendiam a maior parte da população.
Entre os judeus, os cobradores de
impostos (publicanos) tornaram-se objetos de uma especial aversão, como classe.
Os demais judeus desprezavam a esses cobradores de impostos, ou, mais
acuradamente ainda, cobradores de taxas, e isso devido ao seu necessário
contato com superiores gentios. Os romanos leiloavam as vagas para coletores de
taxas numa espécie de concorrência pública, a saber, para os que aceitassem as
menores taxas de juros como comissão, em contratos de cinco anos. Os coletores
de taxas recolhiam não somente as taxas e suas respectivas comissões, mas
também tudo quanto pudessem embolsar ilegalmente. Por essa razão, como
igualmente devido
à sua colaboração com dominadores estrangeiros, os cobradores de taxas
geralmente eram odiados. O suborno pago aos cobradores de taxas pelos ricos
aumentava ainda mais a carga que recaía sobre os pobres.
A religião oficial de Roma adotou
grande parte do panteão e da mitologia gregos. As divindades romanas vieram a
ser identificadas com os deuses gregos (Júpiter com Zeus, Vênus com Afrodite, e
assim por diante). Os romanos também adicionaram certas características, como a
de um sacerdócio sobre o qual o próprio imperador atuava como pontifex maximus (sumo sacerdote). As
características perfeitamente humanas de tais deuses destruíam a fé de muitas
pessoas no panteão greco-romano. Quanto a outras pessoas, entretanto, tal fé
persistiu por todo o período do Novo Testamento.
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