A importância do saber cuidar na prática
pastoral[1]
Ary Carvalho Junior[2]
Resumo
O
presente artigo oferece um panorama sobre a importância do cuidado pastoral em
suas dimensões bíblica, teológica e psicoterapêutica, focalizado no
desenvolvimento das pessoas e da congregação.
Mostra a dimensão conceitual do cuidado, bem como os seus significados e
a prática do aconselhamento como forma de
cuidado pastoral nos dias atuais.
Palavras-chave: cuidado, aconselhamento
pastoral, ética.
THE IMPORTANCE OF KNOWING
TO TAKE CARE OF IN THE PRACTICAL PASTORAL
Abstract
The present article offers a panorama on the importance of the pastoral
care in its dimensions biblical, theological and psicotherapeutic, focused in
the development of the people and the congregation. It shows the conceptual dimension of the
care, as well as its meanings attributed for some authors and the practical one
of the counseling as form of pastoral care in the current days.
Key-words: care, pastoral care, ethical.
INTRODUÇÃO
A intenção deste texto, não é
simplesmente ponderar sobre o cuidar como uma atitude de ocupação,
preocupação, de responsabilidade e de envolvimento afetivo com o outro, mas
sim, mostrar que o cuidado pastoral é o sinal da presença de Jesus, e quem
concede este cuidado, precisa ser um mensageiro da esperança e da cura de
Cristo.
O cristianismo nos apresenta o Deus
Encarnado, Jesus de Nazaré, como alguém que dispensou cuidados, inclusive
tocando pessoas enfermas, curando-as e colocando as mãos sobre a cabeça das
crianças, abençoando-as. O cuidado de
Jesus para com os outros era imensamente prático.
A sociedade atual conseguiu
desenvolver uma comunicação superficial em que se fala muito e, às vezes,
animadamente, mas sem interação pessoal, sem revelar quem realmente é o falante
e quem é o ouvinte. Os relacionamentos atuais são úteis para a manutenção dos
vínculos de amizades dentro de um grupo ou comunidade, mas pouco revela da
personalidade, do caráter, do jeito de ser dos indivíduos, mantendo-se
escondidos nas mais diversas formas.
A técnica do aconselhamento
pastoral precisa ser organizada. Os
pastores e agentes pastorais precisam resgatar o sentido primevo, que se
reflete na palavra cuidar. O pastor é aquele
que provê alimento. Este alimento, que é
a palavra de Deus, unida às ações reais no cotidiano das pessoas, precisa
conduzi-las a formação de Cristo nas suas vidas. O cuidado pastoral vai sempre
acontecer em um campo aberto, onde pensamentos, valores, anseios, sentimentos
aflorarão na medida em que esta pessoa vai se abrindo para a transformação da
mente e do coração. A este respeito, Mack[3]
(2004, p. 12), escreve:
O
aconselhamento verdadeiramente cristão está fundamentado, de modo consciente e
abrangente, na Bíblia, extraindo dela a sua compreensão a respeito de quem é o
homem, da natureza de seus problemas, dos “porquês” destes problemas e de como
resolvê-los. Em outras palavras, o conselheiro precisa estar comprometido, de
modo consciente e envolvente, com a suficiência das Escrituras para resolver e
compreender todas as dificuldades não-físicas, relacionadas ao pecado, que
afetam o próprio indivíduo e seu relacionamento com os outros. Muitos em nossos
dias se declaram conselheiros cristãos, mas não afirmam a suficiência das
Escrituras. Em vez disso, eles crêem que precisamos de discernimento
proveniente de teorias psicológicas e extra-bíblica para compreendermos e
ajudarmos as pessoas, especialmente se elas têm problemas sérios. Para tais
conselheiros, a Bíblia possui autoridade apenas designadora (ou seja, como um
instrumento que nomeia) e não funcional (atual, genuína e respeitada quanto à
pratica) no aconselhamento. Estes conselheiros reconhecem que a Bíblia é a
Palavra de Deus e, por isso, digna de respeito, mas, quando se refere a
entender e resolver muitos dos problemas autênticos da vida, eles crêem que a
Bíblia possui valor limitado. Onde quer e por quem quer que seja realizado esse
tipo de aconselhamento, somos convencidos de que, embora o conselheiro seja um
crente, seu aconselhamento é sub-cristão, porque não está fundamentado, de modo
consciente e abrangente, na Bíblia.
Todo processo de cuidado
pastoral é uma ação ou realização continuada e prolongada de alguma atividade
que vise, ao final, o bem-estar daquele que necessita de cuidados. Trilhar esse caminho de auxílio ao outro exige
uma análise critica dos fatores que envolvem a vida da pessoa em questão. Isso
pode revelar as diversas origens do problema e, também, direcionar para os
melhores caminhos a fim de solucioná-los.
A filologia do cuidar
No
exemplo da compaixão do cristianismo ao longo dos séculos, encontramos a força
do cuidado, do desejo de dedicar-se ao outro com interesse, compromisso, e
muito amor. Jesus, os apóstolos e a igreja cristã têm dado sentido ao cuidar,
através de incontáveis exemplos registrados na Bíblia e na história da
humanidade. O cristianismo entendeu sua forma de ser no mundo caminhando pelo
cuidado.
Conforme Leonardo Boff[4]
(2001, p. 33), a palavra cuidado tem a mesma raiz da palavra cura. Em sua forma mais antiga, no latim, cura
escrevia-se coera e era usada num contexto de relações de amor e
amizade. No entanto, lembra o próprio autor, outros pesquisadores consideram-na
derivada de cogitare-cogitatus, no latim, cujo sentido é o mesmo de
cura: cogitar, pensar, colocar atenção, mostrar interesse, revelar uma atitude
de desvelo e de preocupação.
O cuidado (cogitatu,
ou seja, pensado) somente surge quando a existência de alguém tem importância
pessoal. Cuidado significa, então, desvelo, solicitude, diligência, zelo,
atenção, bom trato. O cuidado tem sido lugar de encontro interdisciplinar de
saberes que se projetam tanto no ser humano quanto no cosmos. É possível o
cuidado a objetos, plantas, animais, rios, pessoas ou ao planeta Terra.
A partir desse valor
substantivo emerge a dimensão de alteridade, de respeito, de sacralidade, de
reciprocidade e de complementaridade. Leonardo Boff destaca que “o cuidado
significa uma constituição ontológica sempre subjacente, sendo a constituição
ontológico-existencial mais original do ser humano”. O autor defende uma
relação entre cuidado e compaixão, compreendendo o ser humano como um “ser de
cuidado e de compaixão".
Cuidado significa, então, desvelo, solicitude, diligência, zelo,
atenção, bom trato. Trata-se, como se depreende, de uma atitude fundamental.
Como dizíamos anteriormente, cuidado implica um modo-de-ser mediante o qual a
pessoa sai de si e se centra no outro com desvelo e solicitude. Temos, nas
línguas latinas, a expressão “cura d’almas” para designar o sacerdote ou o
pastor cuja incumbência reside em cuidar do bem espiritual das pessoas e
acompanhá-las em sua trajetória religiosa. Tal diligência não se faz sem fino
trato, sem zelo e dedicação, semesprit definesse, como convém
às coisas espirituais.
(BOFF, 2001, p. 33)
Na atividade pastoral, o
cuidado é condição sine-qua-non, pois cuidar pressupõe que há alguém que cuida
e alguém que é alvo desse cuidado.
Assim como Leonardo Boff,
em Saber Cuidar, lembra-nos da importância do cuidado a partir do
ato de cativar. Ao se cativar alguém, ganha-se sua simpatia, sua estima, seu
querer bem. Em contrapartida, essa palavra dá origem à outra, nada simpática:
cativeiro, que significa prisão, escravidão, sofrimento.
O aconselhamento como forma de cuidado pastoral
"Vinde a mim, todos os que estais cansados e
sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de
mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa
alma. Porque o meu jugo é suave, e meu fardo é leve."
Mateus 11.28
Max
Lucado (2002) em seu livro “Aliviando a Bagagem” destaca: “De todos os animais
criados por Deus, a ovelha é a menos capaz de cuidar de si própria”.
Não
foi por acaso que Davi escolheu a ovelha para ilustrar o ser humano. Assim como
as ovelhas precisam e dependem de um pastor, o ser humano precisa de um pastor
que o ajude a entender qual a melhor direção a seguir, o melhor alimento para a
sua alma, o melhor lugar para repousar e recompor suas forças, o ser humano
precisa e muito de Deus.
O pastoreio depende essencialmente do
amor de Deus pelas suas ovelhas. O amor, biblicamente falando, não é definido apenas
como um sentimento. O amor se expressa em ações concretas na relação com a
pessoa amada. O vocábulo grego ágape
traduzido por amor nos textos do Novo Testamento, pressupõe sacrifício e
disponibilidade pessoais em relação à pessoa amada. Davi, diz que o Senhor
Deus, na condição de Grande Pastor, vivencia esse amor em ações concretas.
Paul Tillich (1959, p.21) assevera que
o cuidar é universalmente humano: "O cuidar é universalmente humano.
Ninguém pode cuidar de si mesmo em todas as situações. Ninguém pode, até mesmo,
falar a si próprio sem que lhe tivesse sido falado por outrem”.
Ronaldo Sathler
Rosa (2004) em “Cuidado Pastoral em Tempos de Insegurança” trabalha como eixo
central o tema do cuidar, cuidar como elemento fundamental nas relações que
procurem à fidelidade e que motivem o serviço para o livre caminhar das
pessoas, grupos, famílias no difícil caminho do abandono de si mesmas.
Aconselhamento Pastoral pode ser
definido como um processo através do qual “as pessoas se encontram para repartir
lutas e esperanças”. A motivação para o exercício dessa modalidade de cuidado
tem raízes, especialmente, na mensagem bíblica do Reino de Deus que anuncia a
Boa Nova para a humanidade. Nessa tarefa podemos recorrer, além dos recursos
tradicionais do pastoreio cristão, tais como as Escrituras, a tradição, a
oração, os meios de graça e a teologia, às ciências que investigam a natureza
humana e que têm como compromisso a busca da plena saúde humana. Wayne Oates (1974, p. 9-10) define
Aconselhamento Pastoral como:
[...] “disciplina não-médica cujos
objetivos essenciais são facilitar e agilizar o crescimento da personalidade;
ajudar as pessoas a modificarem padrões de vida com os quais estão
insatisfeitas e prover companheirismo e sabedoria para as pessoas que estão
enfrentando perdas e desapontamentos.”
Vivemos em um mundo em que muitos se
sentem solitários. Às vezes não têm a quem procurar para dividir suas
preocupações, suas lutas e suas alegrias. A figura do pastor representa, para
muitos, um porto seguro onde as pessoas podem se ancorar, narrar suas
dificuldades e, mais importante, podem ser ouvidas com atenção. Quando se
encontra alguém disposto a ouvir essa atitude cria condições para que as
pessoas ganhem novas perspectivas sobre si mesmas e sua existência.
É preciso dar atenção às palavras
ditas pelas pessoas que procuram apoio pastoral. É fundamental entender que
para quem está falando não foi fácil chegar até esse momento de procurar ajuda
e expor a sua vida. Nesse caso, fala-se, também, através do longo silêncio e
dos espaços silenciosos, do olhar com ternura e interesse. É preciso aceitá-los
como expressão de sentimentos difíceis de serem ventilados. Podemos aprender a
“ouvir” o silêncio de outras pessoas, suas expressões e a nos sentirmos à
vontade com o nosso próprio silêncio diante do inexplicável, do imponderável,
do inesperado. O silêncio também fala. E a Palavra pode desvelar-se no
silêncio. Como lembra G. Gutierrez (1984 p. 44), “a teologia é um falar
enriquecido por um calar”.
O Aconselhamento Pastoral tem como
objetivo promover a maturidade cristã, ajudar as pessoas amadurecerem, entrando
numa experiência mais rica de adoração a Deus, numa vida mais efetiva de
serviço a Deus e ao próximo, em todos os momentos e circunstâncias da vida. Deve levar o aconselhando a deportar-se com
todos e quaisquer problemas da vida, com uma determinação de agir coerentemente
com as Escrituras. E conseqüentemente desenvolvendo um caráter interior que se
conforme com o caráter (atitude) crenças e propósitos de Cristo.
O pastor, ao lidar com problemas
apresentados, deve levar em conta a dignidade da imagem de Deus e a depravação
do pecado como sendo elementos fundamentais do ser humano, tendo compaixão pelo
pastoreado e sabedoria para falar do pecado, como algo possível de se
abandonado em prol de uma nova forma de vida. O Teólogo
Julio César Zabatieiro
diz que para o pastor cuidar bem do rebanho de Cristo ele
precisa primeiro ser cuidado pelo Supremo Pastor.
Muitos pastores e modelos
pastorais hoje têm uma visão do cuidado pastoral na moldura da multidão no
templo, do frenesi momentâneo produzido na reunião, na cura realizada, nas
campanhas destituídas de afeto relacional e de interesse genuíno na dor do
outro.
O cuidado pastoral não pode ser
somente via púlpito, via
reunião em suas várias expressões, mas ele deve seguir o modelo cristológico da
aproximação, da compreensão, da percepção, da misericórdia, do ensino curador,
libertador, do envolvimento em todas as facetas da vida desde a alegria até a
tristeza, a dor, desde a vida ate a morte desde o ganho ate a perda. Ele deve
estar solidificado na justiça e na paz.
Henry Nouwen (2001) em seu livro “O Sofrimento que Cura”,
mostra que o cuidado pastoral contemporâneo deve ser margeado também por uma
compreensão do componente humano, mostrando também a visão macro do ministério
e do cuidado pastoral que abrange não só a “igreja”, mais o “bairro”, a
“cidade” e o “mundo” do Senhor. Um cuidado integralizado,
pois Jesus Cristo, modelo de cuidado pastoral, não armou a sua tenda num
“gabinete pastoral” e esperou as pessoas virem a ele, mas ele armou sua tenda
de cidade em cidade, abençoando as vidas na busca do perdido, na busca da
justiça em seu tom integral, na busca do fraco, dos injustiçados, na busca dos
que não tinham amigos, na busca do perdido.
Jesus Cristo, em seu cuidado pastoral, não priorizou
a multidão mais o indivíduo que
faz parte da multidão. Hoje essa atitude
é bem diferente. Muitos pastores
valorizam o aglomerado humano como massa de manobra do que o indivíduo como
imagem de Deus, priorizam o reino aqui e agora e o patrulhamento ideológico
como sucesso terreno, gloria humana, corredor da fama, trocadilho financeiro,
promessas de um pseudo Celeste por vir em contornos humanistas, e uma ênfase
demasiada na pregação egocêntrica e das necessidades.
A reformulação da excelência do ministério e do
cuidado pastoral é
sem dúvida necessária e urgente e deve ter a cruz de Cristo como modelo. David Hansen (2001) em seu livro
“A Arte de Pastorear”,
diz que o cuidado pastoral e o ministério pastoral jamais podem
ser dirigidos por tendências contemporâneas como modismo, tarefas, entre
outros. Ele faz uma crítica aos teólogos
profissionais que reduziram o trabalho pastoral em realização de coisas e isso
gera uma falta de tempo para a leitura já que os teólogos profissionais
reclamam que pastores quase não lêem.
Ele diz que devemos prestar atenção em duas
áreas do ministério de Jesus Cristo que é importante para esse resgate do
excelente: Primeiro o seu “ministério” e segundo o “roteiro de sua vida”.
O Aconselhamento Pastoral
hoje constitui dentro dos princípios e das práticas cristãs, um dos setores
específicos do ministério do Pastor. Pois o Aconselhamento Pastoral abrange uma
área de especialização na teologia pastoral. Tem como propósito, dentre outros,
a re-orientação para a vida, educação, higiene mental, recondução e a
administração da vida espiritual.
Tem como objetivo, ajudar a pessoa a
enfrentar eficazmente a situação difícil e voltar ao seu nível comum de comportamento.
Diminuir a ansiedade, a apreensão e outros tipos de insegurança que possam
persistir depois de ter passado a crise. Ensinar técnicas de solução de crises,
a fim de que a pessoa fique melhor preparada para antecipar e tratar das crises
futuras. E considerar os ensinos bíblicos sobre as crises, a fim de que a
pessoa aprenda com as mesmas e cresça como resultados dessa experiência.
O
CUIDADO E A ÉTICA PASTORAL
Richard L. Mayhue[5] mostra quais são as responsabilidades básicas do
pastor baseado na epístola do apóstolo Paulo aos irmãos de Tessalônica:
Orar (I Ts.1.2,3;3.9-13); Evangelizar (I Ts.1.4,5,9,10); Capacitar (I Ts.1.6-8); Defender (I Ts. 2.1-6); Amar (I Ts. 2.7,8); Labutar (I Ts.2.9); Exemplificar (ITs.2.10); Liderar (I Ts.2.10-12); Alimentar (I Ts. 2.13); Vigiar (I Ts.3.1-8); Alertar (I Ts. 4.1-8); Ensinar (I Ts. 4.9-5.11); Exortar (I Ts. 5.12-24); Encorajar (II Ts. 1.3-12); Corrigir (II Ts. 2.1-12); Confrontar (II Ts. 3.6,14) e Resgatar (II Ts. 3.15).
Orar (I Ts.1.2,3;3.9-13); Evangelizar (I Ts.1.4,5,9,10); Capacitar (I Ts.1.6-8); Defender (I Ts. 2.1-6); Amar (I Ts. 2.7,8); Labutar (I Ts.2.9); Exemplificar (ITs.2.10); Liderar (I Ts.2.10-12); Alimentar (I Ts. 2.13); Vigiar (I Ts.3.1-8); Alertar (I Ts. 4.1-8); Ensinar (I Ts. 4.9-5.11); Exortar (I Ts. 5.12-24); Encorajar (II Ts. 1.3-12); Corrigir (II Ts. 2.1-12); Confrontar (II Ts. 3.6,14) e Resgatar (II Ts. 3.15).
A comunicação, na prática do aconselhamento
pastoral precisa ser terapêutica, embora o processo de aconselhamento não seja
‘terapia’, em sentido estritamente técnico-profissional. Ou seja, em seu modo
próprio, proclama a Palavra de salvação - cuja expressão na Bíblia acha-se
associada a termos tais como ‘saúde’, ‘paz’, ‘bem-estar’, que se torna visível,
também, em condições gerais de bem-estar, na saúde e em relacionamentos
significativos. Além disso, pastores e pastoras devem honrar o compromisso da
confidencialidade.
Em seu livro “Despertando para um
Grande Ministério”, H.B London Jr. e Neil B. Wiseman pensando em termos
ministeriais dizem que:
Toda a responsabilidade é terra
santa por que Jesus se entregou pelas pessoas que vivem ali. Todo lugar é
importante por que Deus quer que você realize algo sobrenatural ali. Toda
situação é especial por que o ministério é necessário ali. Como a Rainha Ester,
você veio para o Reino para um tempo como este. (LONDON JR & WISEMAN,1996,
p.20).
Isso é um fato importante
a ser tratado por que o cuidado pastoral deve ser elevado á um grau de
excelência e não uma peça decorativa na atividade poimênica. A igreja corpo de
Cristo tem que ser cuidada, protegida, amada, curada, sanada, crescente e isso
somente acontecerá a partir de uma visão cristológica.
Como a rainha Ester (Ester 4.16), este
é o nosso tempo e não podemos deixar escapar o sobrenatural de Deus nas vidas
das pessoas a partir de um cuidado pastoral sadio. O Brasil contemporâneo a
nível eclesial tem enfrentado muitos problemas no campo eclesiástico e
doutrinal em virtude do pragmatismo e o afastamento dos princípios da palavra
de Deus, porém urge a hora que Deus nos chama para fazer diferença em épocas
nebulosas.
Com a Bíblia nas mãos e com o coração
encharcado de misericórdia e compaixão, é possível celebrar a comunhão como
caminho de cura e ação terapêutica no cuidado pastoral como expressou o Dr. Larry Crabb (2000) em seu
livro “O lugar mais seguro da Terra”.
O cuidado pastoral não é feito somente por uma
única pessoa e sim pela comunidade da fé, esse cuidado
também não está trancado no chão geográfico eclesial mais ele
se move em busca do aflito em solução de conflito apaziguando as beligerâncias
humanas. Ele se mistura e se envolve no drama do outro e no rosto do outro
contempla a face de Deus.
Esse cuidado pastoral não se move em busca de honra, favor, glória, fama mais ele se
posiciona como se posicionou o bom samaritano que atendeu o ferido sem pedir
nada em troca e viu no outro o seu próximo.
Conclusão
O objeto do ministério pastoral
resume-se numa única palavra: gente. Gente no sentido de indivíduo, de pessoa
como entidade, única e incomparável. Gente de todo tipo, pois uma das grandes
marcas da igreja de Cristo é a diversidade. A igreja é formada por indivíduos,
cada um com sua história de vida, com seus talentos e com suas necessidades. E
muitas dessas necessidades exigem que o pastor esteja preparado a prestar nada
menos que um atendimento personalizado e sob medida.
O aconselhamento é o remédio
que o pastor tem em mãos para tratar as feridas emocionais que muitas ovelhas
carregam pela vida.
Utilizar-se das Escrituras para exercer o
aconselhamento é uma tarefa sábia para os pastores que estão comprometidos com
o crescimento espiritual de suas ovelhas.
A prática do aconselhamento
pastoral é fundamental na sociedade em que vivemos. As pessoas continuam com
problemas, mas a igreja pode ajudá-las a vencer a si mesmas, às dificuldades
interiores e aos obstáculos que se formaram no decorrer de sua existência. As
pessoas precisam ser cuidadas, necessitam de apoio para continuar sobrevivendo
e há métodos que podem ser utilizados pelo conselheiro pastoral.
Esse conselheiro não precisa
ser necessariamente o pastor da igreja. Membros da igreja podem receber
treinamento teórico e prático para auxiliar a liderança da igreja e ajudar
aqueles que necessitam de cuidados.
À medida que entendemos que
a igreja é uma comunidade terapêutica, uma comunidade da poimênica, que presta
assistência, promove cura e possibilita crescimento, então é certo dizer que
também cabe ao pastor a tarefa de treinar a igreja nesta vocação, a fim de que
seus membros desenvolvam na prática a verdade do “sacerdócio universal de todos
os santos”, sendo ministros uns dos outros. O papel do pastor consiste em
treinar, inspirar e supervisionar as pessoas leigas no ministério.
Podemos perceber então a
importância do trabalho pastoral na transformação de uma igreja local em
comunidade terapêutica. Pastores saudáveis e equilibrados, ou pelo menos
conscientes de suas limitações e em busca de sua integralidade, saberão
orientar os membros rumo ao crescimento. Por outro lado, pastores sem esta
consciência, desfocados de sua integralidade, dificultarão e prejudicarão o
desenvolvimento dos membros de sua comunidade.
Poderíamos dizer então que, neste caso, pastores nervosos gerarão igrejas neuróticas. Quão grande é a responsabilidade do pastor quanto ao bem estar e crescimento da igreja rumo ao cumprimento de sua missão integral.
Poderíamos dizer então que, neste caso, pastores nervosos gerarão igrejas neuróticas. Quão grande é a responsabilidade do pastor quanto ao bem estar e crescimento da igreja rumo ao cumprimento de sua missão integral.
ReferÊncias
BOFF, Leonardo. Saber Cuidar. 7ª ed. Petrópolis: Vozes, 2001.
CRAAB, L. O
Lugar mais seguro da Terra. São Paulo: Mundo Cristão, 2000.
GUTIERREZ,
Gustavo. Falar sobre Deus. Concilium, 1984.
HANSEN, David. A arte de pastorear.
São Paulo: Shedd Publicações, 2001.
LONDON H.B. - WISEMAN Neil Despertando Para um Grande Ministério: Um
Livro de Pastor para Pastor. Traduçao Guilherme Kerr. Sao Paulo: Editora
Mundo Cristao 1996.
LUCADO, Max. Aliviando a bagagem. RJ: CPAD, 2002.
MACK, Wayne.
Características distintivas do
aconselhamento cristão: Fé para hoje.
São José dos Campos, SP, 2004.
MACARTHUR, JOHN. Redescobrindo o Ministério Pastoral: Moldando o Ministério
Contemporâneo aos Preceitos Bíblicos. Traduçao Lucy Yamakami. Rio de
Janeiro: Editora CPAD. 1999.
MAYHUE, Richard L. “A Família do Pastor”,
cp. 9 em John MacArthur, Jr. Redescobrindo
o Ministério Pastoral. RJ: CPAD, 1999.
NOUEWN Henri, O Sofrimento que Cura: Por meio de Nossas próprias feridas, podemos nos
tornar fonte de Vida para o Outro, traduçao Pedro Elyseu Scweitzer, Sao
Paulo: Ediçoes Paulinas, 2001.
OATES, Wayne. The Bible in Pastoral
Care. Philadelphia, Westminster, 1953.
SATHLER-ROSA, Ronaldo. Cuidado Pastoral em Tempos de Insegurança.
Uma Hermenêutica Contemporânea. São Paulo: ASTE, 2004.
ZABATIERO, Julio. Cuida (n) do – A Arte do Pastorado, out. – dez 2001.
[3] Wayne Mack
é professor de aconselhamento bíblico no The Master’s College, Califórnia
(EUA).
[4] Leonardo Boff é
teólogo, filósofo e escritor, autor de numerosas obras.
[5] Richard L. Mayhue que faz parte
do corpo docente do “Máster Seminary” e uns dos colaboradores do livro
“Redescobrindo o ministério pastoral: Moldando o ministério Contemporâneo aos
Preceitos Bíblicos”.
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