Vale a pena conferir...

domingo, 30 de outubro de 2011

As decisões da vida podem estar em nossas mãos Ecl 12



Introdução
V1. Lembra-teTraga a memória, pare para refletir, pense no que você já fez até aqui, projete quantos anos de vigor você ainda tem pela frente e o que você vai fazer com estes anos. (estudar, casar, viajar, comprar, etc), escrever é um habito bom, pois permite rever em que ponto da vida você chegou.

I.O tempo é implacável
V2.Escureçam o sol,a lua, e as estrelas ( as vistas se tornem fracas).V3. Tremerem os guardas ( fraqueza nos braços), se curvarem os homens fortes ( as pernas), cessarem os moedores (dentes), V4 lábios se fecharem (fraqueza das cordas vocais, o ouvido não será o mesmo), temer o que é alto( medo de altura, perda do espírito de aventura,) espantares no caminho ( dificuldade de andar), e te embranqueceres( cabelos brancos), perda de apetite ( perder o gosto das coisas, pizza nunca mais), vais a casa eterna ( ela chegou a morte), foi de prata ( coluna), copo de ouro (crânio), e o pó volte à terra  (sepultura), e o espírito volte a Deus( juízo eterno). 

II. A força dos jovens nos nossos dias
I jo2.13 “ Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que existe desde o princípio, jovens, eu vos escrevo, porque tendes vencido o maligno.” Bons princípios, no namoro, nos estudos, na família, com amigos, na igreja, na sociedade.Ecle. 11.9 O conselho pode ser praticado pelo seu lado bom. Como a igreja pode fortalecer os jovens Ef 6.4 “... pais não provoquem vossos filhos à ira.” quando os jovens são tratados como irresponsáveis.

III. Viver adorando uma é a melhor maneira de se aproveitar a vida
Jo 4.23-24
Altar – Lugar de entrega, de morte, sacrifício, ouvir a voz de Deus, intimidade com Deus, nossa vida deve a habitação do Espírito Santo, Icor 3.16
Palco- Lugar de fama, de aplausos, tudo é possível, de reconhecimento, tudo tem um preço, tem que ter público.
SL 24.3-4, SL15- Conselhos para se chegar a uma vida de adoração.

Conclusão
Meu testemunho no hospital (se der tempo). O texto nos ensina que a velhice vai chegar e com ela todas as limitações da velhice juntos. Mas podemos trabalhar para colher em todas as áreas da nossa vida boa frutos, e encarar as adversidades com maturidade.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

“No Principio, Criou Deus”





 
“No Principio, Criou Deus” 

Politeísmo (do grego: Poli, muitos, Théos, deus: muitos deuses) consiste na crença em  mais do que uma divindade de  gênero masculino, feminino ou indefinido, sendo que cada uma é considerada uma entidade individual e independente com uma personalidade e vontade próprias, governando sobre diversas actividades, áreas, objectos, instituições, elementos naturais e mesmo relações humanas.
O monoteísmo (dogrego μόνος, mónos, "único", e θεός, théos, "deus": único deus) é a crença na existência de apenas um só Deus,e não deuses, diferente do politeísmo que conceitua a natureza de vários de vários deuses.
Refutação: “No principio, Criou Deus” Gên 1:1. X PoLiteísmo.
Segundo a Bíblia, o mundo é obra livre do Onipotente (único Deus) e foi criado do nada. Isto é, não foi formado de matéria preexistente, nem teve a participação de outros deuses. No primeiro capitulo de gênesis a palavra criou é tradução do hebraico BARAH, termo que significa geralmente vir a existir aquilo que previamente não tinha existência. Do sentido primitivo da palavra bem como do processo apresentado no registro mosaico, aprendemos que Deus no principio, do nada criou os céus e a terra.        




Os Pais da Igreja


Os Pais da Igreja
Pais da Igreja, é um resumo daquilo que realmente viveram em suas épocas. Que possamos tomar o exemplo de fé, amor pelas almas e ousadia destes homens; e saber que na época em que vivemos hoje, ainda podemos ser “Heróis da Fé”. Possamos através da graça de Deus, pagar o preço que nos é proposto, a fim de manter a Igreja edificada, a defesa do Evangelho e a luta contra todo espírito que queira corromper as doutrinas da infalível Palavra de Deus.A partir do ano 95 d.C., os líderes ou bispos, começaram a ser chamados de “Pais da Igreja”, como uma forma carinhosa, por sua lealdade. O nome “Heróis da Fé” foi usado mais amplamente a partir do terceiro século para descrever os campeões ortodoxos da Igreja e os expoentes de sua fé. Os Pais da Igreja são classificados em quatro grupos:
Os Pais Apostólicos, Os Apologistas ou Ante-Nicenos, Os Polemistas ou Nicenos, Os Teólogos Científicos ou Pós-Nicenos. Os Pais Apostólicos são caracterizados pela edificação e fortalecimento dos crentes na fé; os Apologistas, pela sua defesa aos ataques contra o Cristianismo; os Polemistas, pela defesa contra heresias dentro da Igreja; e os Teólogos, pela aplicação da Teologia em áreas filosóficas e científicas. OS PAIS APOSTÓLICOS
Data: Primeiro Século (30 – 100). Objetivo: Exortar e edificar a Igreja. Preeminentes no Ocidente: Clemente de Roma. Preeminentes no Oriente: Inácio, Policarpo, Barnabé, Papias, Hermas e Didaquê. OS APOLOGISTAS Data: Segundo Século (120 – 220). Objetivo: Defender o Cristianismo. Preeminentes no Ocidente: Tertuliano. Preeminentes no Oriente: Justino, o Mártir, Taciano, Teófilo, Aristides e Atenágoras. OS POLEMISTAS Data: Terceiro Século (180 – 250). Objetivo: Lutar contra as falsas doutrinas. Preeminentes no Ocidente: Irineu, Tertuliano e Cipriano. Preeminentes no Oriente: Panteno, Clemente, Orígenes e Hipólito.OS TEÓLOGOS CIENTÍFICOS
Data: Quarto Século (325 – 460). Objetivo: Aplicar métodos científicos na interpretação bíblica. Preeminentes no Ocidente: Jerônimo, Ambrósio e Agostinho. Preeminentes no Oriente: Crisóstomo e Teodoro. Preeminentes no Alexandria: Atanásio, Basílio de Cesaréia e Cirilo. Os principais Pais da Igreja, Heróis da Fé PolicarpoNascido em uma família cristã por volta dos anos 70, na Ásia Menor (hoje Turquia), Policarpo dizia ser discípulo do Apóstolo João. Em sua juventude costumava se sentar aos pés do Apóstolo do amor. Também teve a oportunidade de conhecer Irineu, o mais importante erudito cristão do final do segundo século. Inácio de Antioquia, em seu trajeto para o martírio romano em 116, escreveu cartas para Policarpo e para a Igreja de Esmirna. Nos dias do Papa Aniceto, Policarpo visitou Roma, a fim de representar as igrejas da Ásia Menor que observavam a Páscoa no dia 14 do mês de Nisan. Apesar de não chegar a um acordo com o papa sobre este assunto, ambos mantiveram uma amizade. Ainda estando em Roma, Policarpo conheceu alguns hereges da seita dos Valencianos, e encontrou-se com Márcio, o qual Policarpo denominava de “primogênito de Satanás”.
A Carta de Policarpo
Apesar de escrever várias cartas, a única preservada até a data, foi a endereçada aos Filipenses no ano 110. Nesta carta, Policarpo enfatiza a fé em Cristo, e o desenvolvimento da mesma através do trabalho para Cristo na vida diária. Também faz alusão à carta do Apóstolo Paulo aos Filipenses e usa citações diretas e indiretas do Velho e Novo Testamento, atestando-os como canônicos. Na mesma carta, ele repete muitas informações recebidas dos apóstolos, especialmente de João. Por isto, ele é uma testemunha valiosa da vida e da obra da Igreja primitiva no segundo século.
Policarpo exorta os Filipenses a uma vida virtuosa, às boas obras e à firmeza, mesmo ao preço de morte, se necessária, uma vez que tinham sido salvos pela fé em Cristo. As 60 citações do Novo Testamento, das quais 34 são dos escritos de Paulo, evidenciam seu profundo conhecimento da Epístola do Apóstolo aos Filipenses e outras do mesmo Testamento. Ao contrário de Inácio, Policarpo não estava interessado em administração eclesiástica, mas antes em fortalecer a vida diária prática dos cristãos.
O Martírio de Policarpo
O martírio de Policarpo é descrito um ano depois de sua morte, em uma carta enviada pela Igreja de Esmirna à Igreja de Filomélio. Este registro é o mais antigo martirológio cristão existente. Diz a história que o procônsul romano, Antonino Pius, e as autoridades civis tentaram persuadí-lo a abandonar sua fé em sua avançada idade, a fim de alcançar sua liberdade. Ele entretanto, respondeu com autoridade: “Eu tenho servido Cristo por 86 anos e ele nunca me fez nada de mal. Como posso blasfemar contra meu Rei que me salvou? Eu sou um crente”!
No ano 156, em Esmirna, Policarpo é colocado na fogueira. Milagrosamente as chamas não o queimaram. Seus inimigos, então, o apunhalaram até a morte e depois queimaram o seu corpo numa estaca. Depois de tudo terminado, seus discípulos tomaram o restante de seus ossos e o colocaram em uma sepultura apropriada. Segundo a história, os judeus estavam tão ávidos pela morte de Policarpo quanto os pagãos, por causa de sua defesa contra as heresias. Irineu Bispo de Lyon e Polemista Anti-Gnóstico – Diferentemente dos Apologistas do segundo século que procuraram fazer uma explanação e uma justificação racional do Cristianismo para as autoridades, os Polemistas empenharam-se por responder ao desafio dos falsos ensinos dos heréticos, condenando veemente esses ensinos e seus mestres. Apesar da maioria dos Apologistas viverem no Oriente, os grandes Polemistas vieram do Ocidente, sendo Irineu um dos primeiros.Enquanto os do Oriente usavam uma teologia especulativa dando mais atenção aos problemas metafísicos, os do Ocidente preocupavam-se mais com os desvios administrativos da Igreja, empenhando-se em formular uma resposta para os problemas desta esfera. Os apologistas convertidos do paganismo, preocupavam-se com a ameaça à segurança da Igreja, especialmente com a perseguição. Os polemistas que tinham uma formação cultural cristã, preocupavam-se com a heresia e suas ameaças no seio da Igreja.Seu Crescimento e InfluênciaNascido em Esmirna, na Ásia Menor (Turquia), no ano 130, em uma família cristã, Irineu era grego e foi influenciado pela pregação de Policarpo, bispo de Esmirna.
Anos depois, Irineu mudou-se para Gália (atual sul da França), para a cidade de Lyon, onde foi um presbítero em substituição do bispo que havia sido martirizado em 177. Irineu também recebeu influência de Justino. Ele foi uma ponte entre a teologia grega e a latina, a qual iniciou com um de seus conteporâneos, Tertuliano. Enquanto Justino era primariamente um apologista, Irineu contribuiu na refutação contra heresias e exposição do Cristianismo Apostólico. Sua obra maior se desenvolveu no campo da literatura polêmica contra o gnosticismo.Os Ensinos Heréticos do Gnosticismo O gnosticismo, a maior das ameaças filosóficas, chegou ao máximo de sua influência ao redor do ano 150. Suas raízes estão fincadas nos tempos do Novo Testamento. Paulo parece ter enfrentado uma forma incipiente de gnosticismo em sua carta aos Colossenses. A tradição cristã associou a origem do gnosticismo com Simão, o mago, a quem Pedro teve que repreender duramente (At 8.9-24).Irineu tornou-se o mais expoente escritor e defensor das Escrituras contra as Heresias Gnósticas na sua era. A palavra gnosticismo é um termo moderno que cobre uma variedade de seitas do segundo século que propagavam alguns erros em comum. O Gnosticismo era radicalmente diferente e contrário ao Cristianismo Ortodóxo. Cada grupo tinha seus próprios escritos. Alguns desses ensinamentos falsos eram:Crença em um Deus supremo o qual era totalmente remoto deste mundo.Crença que o Deus supremo não tinha parte na criação, mas que este trabalho imperfeito foi realizado por uma deidade inferior à ele, identificando como o Deus do Velho Testamento.Crença que a matéria era má, por isso o Deus supremo sendo espiritual e bom, não poderia criá-la.Crença que entre o reino das trevas e o Deus supremo, existe uma hierarquia de seres divinos.Crença que o nosso corpo, sendo físico, é parte deste mundo, ele é mal; nossa alma é uma faísca divina que está presa ao corpo, ela é divina.Crença que a salvação é o escape da alma deste corpo para o reino celestial.Crença que para alcançar o Deus supremo é necessário que a alma ultrapasse o reino acima de nós, o qual é controlado pelas estrelas e pelos planetas.Crença que a salvação vinha pelo conhecimento; gnosis (conhecimento). A Grande Defesa do Teólogo Irineu
Em sua primeira obra, AdversusHaereses (Contra Heresias) escrita entre os anos 182 e 188, em Lyon, ele descreve a teologia da fé cristã em refutação aos ensinos heréticos gnósticos de Valentino e Marcion através das Escrituras. De muitos argumentos feitos por Irineu, três importantes podem ser ressaltadas:A diferença do sistema gnóstico. Ele descreve a natureza burlesca de muitas de suas crenças.Os ensinamentos que os gnósticos diziam ter recebido secretamente dos apóstolos, Irineu os desafiava argumentando que se os apóstolos tivessem um ensinamento especial a declarar, eles o teriam confiado às suas próprias igrejas, as quais fundaram. Ele mostrava como as igrejas estabelecidas pelos apóstolos, e seus dirigentes, os quais eram apontados pelos mesmos e seus sucessores, cresciam em todo o império, e permaneciam até a data, ensinando a mesma doutrina.Defesa do Novo Testamento como canônico, em vista que o gnosticismo não cria nele, e possuía outras escrituras. No tempo de Irineu, o Novo Testamento era aceito cerca de como temos agora: os Evangelhos, Atos, Cartas de Paulo e outras epístolas. A carta aos Hebreus, Apocalipse e algumas epístolas compuseram o Novo Testamento alguns anos na frente.
A sua obra é composta de cinco volumes é são assim caracterizadas:
Livro I: Esboço histórico da seita gnóstica, apresentada em conjunto com uma declaração da fé cristã. Este volume é a melhor fonte de informação sobre os ensinos dos gnósticos.Era uma polêmica filosófica contra Valentino, o líder da corrente romana do gnosticismo.
Livro II: Crítica filosófica sobre o Gnosticismo. Nele, Irineu insiste na unidade de Deus em oposição aidéia herética da existência de um demiurgo distinto de Deus.
Livro III: Crítica bíblica sobre o Gnosticismo. Ele mostra como o Gnosticismo é rejeitado pela Bíblia e pela tradição mais significativa. Neste livro, Irineu dá ênfase à unidade da Igreja através da sucessão apostólica de líderes desde Cristo e de uma regra de fé.Livro IV: Respostas ao Gnosticismo através das palavras de Cristo. Neste, Marcion, outro líder gnóstico, é condenado pela citação das palavras de Cristo que se opõem às suas propostas.Livro V: Vindicação da ressurreição contra os argumentos gnósticos, os quais, segundo as idéias deles, reunia o corpo material mau com o espírito. A Contribuição de Irineu à Igreja Foi necessário a habilidade intelectual, a força espiritual deste polemista e o desenvolvimento de uma regra de fé e um cânon da Bíblia pela Igreja para superar a ameaça desse movimento ao Cristianismo. Irineu através da sua defesa do Evangelho, foi o primeiro a declarar os quatro Evangelhos como canônicos, ensinar acerca do reino milenial de Cristo na terra, defender o episcopado (pastorado) e as tradições teológicas da verdadeira Igreja Ortodóxa. Ele também é chamado de “Pai dos Dógmas da Igreja”, por formular os princípios da teologia cristã e exposição do credo da Igreja.Não só Irineu, mas Polemistas como Tertuliano e Hipólito engajaram-se na controvérsia literária para refutar idéias gnósticas. Estes ensinos heréticos reapareceram, parcialmente, em doutrinas dos Paulicianos do século VII, dos Bogomilos dos séculos XI e XII, e dos Albingenses posteriores, no sul da França. Irineu em comparação com outros pais da igreja grega que lhe prescederam, era mais bíblico que filosófico. Ele foi o primeiro a escrever em sentido teológico para a Igreja. Segundo a história, ele foi martirizado em Lyon por volta do ano 200.JerônimoErudito das Escrituras e Tradutor da Bíblia para o Latim. Nascido por volta do ano 345 em Aquiléia (Veneza), extremo norte do Mar Adriático, na Itália, Jerônimo passou a maior parte da sua juventude em Roma estudando línguas e filosofia. Apesar da história não relatar pormenores de sua conversão, se sabe que se batizou quando tinha entre dezenove e vinte anos. Logo após, Jerônimo embarcou em uma peregrinação pelo Império que levou vinte anos.Sua viagem iniciou pela Gália, onde estudou Teologia por alguns anos, aperfeiçoou o grego e adotou a vida monástica. Voltando para Aquiléia esteve durante três anos trabalhando com o Bispo Valeriano. Em 375, Jerônimo partiu para Antioquia da Síria, onde aprendeu o hebraico e estudou intensivamente as Escrituras. Depois de dois anos foi ordenado a padre pelo Bispo Paulino. Partindo dalí, foi para Constantinopla, onde por dois anos foi discípulo de Gregório, grande mestre entre Gregório de Nicéia, Basílio de Cesaréia e outros eminentes Pais da Igreja. Sua PeregrinaçãoSua peregrinação terminou no ano 382, quando fez-se secretário de Dâmaso, bispo de Roma, que lhe sugeriu a possibilidade de fazer uma nova tradução da Bíblia. Com a morte de Dâmaso, Jerônimo partiu de Roma em direção à Palestina, no ano 386. Graças à generosidade de Paula, uma rica senhora romana a quem tinha ensinado hebraico, viveu num retiro monástico em Belém, por 35 anos.
Nestes anos, ele dedicou-se em escrever várias obras. A maior delas, foi a tradução da Bíblia para o Latim, conhecida como Vulgata. Jerônimo foi cuidadoso na busca de suas informações e procurou usar as versões mais antigas e manuscritos bíblicos já não existentes. Trabalhando sobre o princípio que o texto original da Bíblia estava livre de erros, ele começou um estudo profundo dos manuscritos juntamente com a Septuaginta, a fim de determinar, entre muitos outros, que texto poderia se considerar como original e verdadeiro. A Obra de Esmero Entre os anos 386 e 390, ele completou a tradução, bem como os comentários do Novo Testamento. Entre os anos 390 e 398, ele escreveu muitas obras e comentários que são usados até o dia de hoje; traduziu escritos de outros eruditos para o Latim; e atualizou a obra de Eusébio de Cesaréia, “História Eclesiástica”, gravando os eventos ocorridos na Igreja entre os anos 325 e 378.A partir do ano 398 até 405, Jerônimo terminou o seu grande projeto, a tradução completa em Latim do Antigo Testamento Hebraico. Esta versão da Bíblia tem sido amplamente usada pela Igreja Ocidental e tem sido, até recentemente, a única Bíblia oficial da Igreja Católica Romana desde o Concílio de Trento. Seu amor pela vida ascética fez dele um propagador do ascetismo, chegando no final de sua vida, entre os anos 405 e 420, ao extremo da abstinência da alimentação normal, do trabalho e do casamento. AgostinhoFilósofo e Teólogo de Hipona, Norte da África. Polemista capaz, pregador de talento, administrador episcopal competente, teólogo notável, ele criou uma filosofia cristã da história que continua válida até hoje em sua essência.Vivendo num tempo em que a velha civilização clássica parecia sucumbir diante dos bárbaros, Agostinho permaneceu em dois mundos, o clássico e o novo medieval. Nascido em 354, na casa de um oficial romano na cidade de Tagasta em Numidia, no norte da África, era filho de um pai pagão, Patrício, e de uma mãe crente, Mônica. Apesar de não serem ricos, era uma família respeitada. Sua mãe dedicou-se à sua formação e conversão à fé cristã. Com muito sacrifício, seus pais lhe ofereceram o melhor estudo romano. Seus primeiros anos de estudo foram feitos na escola local, onde aprendeu latim à força de muitos açoites. Logo, foi enviado para a escola próximo a Madaura, e em 375 à Cartago, para estudar retórica. Longe da família, Agostinho se apartou da fé ensinada por sua mãe, e entregou-se aos deleites do mundo e a imoralidade com seus amigos estudantes. Viveu ilegitimamente com uma concubina durante treze anos, a qual lhe concedeu um filho, Adeodato, em 372. O mesmo morreu cerca do ano 390. Na busca pela verdade, ele aceitou o ensino herético maniqueísta, o qual ensinava um dualismo radical: o poder absoluto do mal — o Deus do Antigo Testamento, e o poder absoluto do bem — o Deus do Novo Testamento. Nesta cegueira ele permaneceu nove anos sendo ouvinte, porém, não estando satisfeito, voltou à filosofia e aos ensinos do Neo-platonismo. Ensinou retórica em sua cidade natal e em Cartago, até quando foi para Milão, Itália, em 384. Em Roma, foi apontado pelo senador Símaco como professor de retórica em Milão, e depois para a casa imperial. Como parte de seu trabalho, ele deveria fazer oratórias públicas honrando o imperador Valenciano II.Sua Conversão No ano 386, quando passava várias crises em sua vida, Agostinho estava meditando num jardim sobre a sua situação espiritual, e ouviu uma voz próxima à porta que dizia: “Tome e Leia”. Agostinho abriu sua Bíblia em Romanos 13.13,14 e a leitura trouxe-lhe a luz que sua alma não conseguiu encontrar nem no maniqueísmo nem no neo-platonismo. Com sua conversão à Cristo, ele despediu sua concubina e abandonou sua profissão no Império. Sua mãe, que muito orara por sua conversão, morreu logo depois do seu batismo, realizado por Ambrósio na Páscoa de 387. Uma vez batizado, regressou um ano depois para Cartago, Norte da África, onde foi ordenado sacerdote em 391. Em Tagasta, ele supervisionou e instruiu um grupo de irmãos batizados chamados de “Servos de Deus”. Cinco anos depois, foi consagrado bispo de Hipona por pedido daquela congregação, onde permaneceu até sua morte. Daí até sua morte em 430, empenhou-se na administração episcopal, estudando e escrevendo.
Suas Obras Agostinho é apontado como o maior dos Pais da Igreja. Ele deixou mais de 100 livros, 500 sermões e 200 cartas. Suas obras mais importantes foram: Confissões, obra autobiográfica de sua vida antes e depois de sua conversão;Contra Acadêmicos, obra onde demonstra que o homem jamais pode alcançar a verdade completa através do estudo filosófico e que a certeza somente vem pela revelação na Bíblia;DeDoctrinaChristiana, obra exegética mais importante que escreveu, onde figuram as suas idéias sobre a hermenêutica ou a ciência da interpretação. Nela desenvolve o grande princípio da analogia da fé;DeTrinitate, tratado teológico sobre a TrindadeDeCivitate Dei, obra apologética conhecida como Cidade de Deus. Com o saque de Roma por Alarico, rei dos bárbaros em agosto 28 de 410, os romanos creditaram este desastre ao fato de terem abandonado a velha religião clássica romana e adotado o cristianismo. Nesta obra, põe-se a responder esta acusação a pedido de seu amigo Marcelino.Agostinho escreveu também muitas obras polêmicas para defender a fé dos falsos ensinos e das heresias dos maniqueus, dos donatistas e, principalmente, dos pelagianos. Também escreveu obras práticas e pastorais, além de muitas cartas, que tratam de problemas práticos que um administrador eclesiástico enfrenta no decorrer dos anos do seu ministério. A formulação de uma interpretação cristã da história deve ser tida como uma das contribuições permanentes deixadas por este grande erudito cristão. Nem os historiadores gregos ou romanos foram capazes de compreender tão universalmente a história do homem. Agostinho exalta o poder espiritual sobre o temporal ao afirmar a soberania de Deus sobre a criação. Esta e outras inspiradoras obras mantiveram viva a Igreja através do negro meio-milênio anterior ao ano 1000. Agostinho é visto pelos protestantes como um precursor das idéias da Reforma com sua ênfase sobre a salvação do pecado original e atual através da graça de Deus, que é adquirida unicamente pela fé. Sua insistência na consideração dos sentido inteiro da Bíblia na interpretação de uma parte da Bíblia (Hermenêutica), é um princípio de valor duradouro para a Igreja.
Seus últimos meses Durante os últimos meses de vida, os vândulos tomaram a cidade fortificada de Hipona por mar e terra. Eles haviam destruído as cidades do Império Romano no Norte da África e as evidências do Cristianismo. A cidade estava cheia de pobres e refugiados, e a congregação de Agostinho não era uma excessão. No final de sua vida, ele foi submetido a uma enfermidade fatal, e com 75 anos ele pediu que ficasse só, a fim de se preparar para encontrar com o seu Deus. Um ano depois da morte de Agostinho em 430, os bárbaros queimaram toda a cidade, mas felizmente, a biblioteca de Agostinho foi salva, e seus escritos se perpetuam em nosso meio até a nossa era. John Wycliff Reformador e Tradutor da primeira Bíblia para o inglês.” Nascido na cidade de Yorkshire, Inglaterra, em 1329. Atendeu à Universidade de Oxford e terminou o doutorado de Teologia em 1372. Também foi um dos mestres da Universidade de Balliol. Por ser o mais eminente teólogo de seus dias, teve a oportunidade de ser o capelão do rei Ricardo II com acesso ao Parlamento, e de traduzir a Bíblia, junto com seus associados, do Latim para o Inglês.A Corrupção Papal na Inglaterra Equivocamente, muitas pessoas acham que a volta à Bíblia começou com Calvino e Lutero, os líderes da Reforma. Ao contrário, antes da Reforma houve tentativas de fazer parar o declínio do prestígio e do poder do papa através de reformas de várias espécies.
Os problemas representados por um papado corrupto e extravagante que morava na França e não em Roma, e pelo cisma que se seguiu à tentativa de levar de volta o papa para Roma, fomentaram o ímpeto que levou os reformadores, os concílios reformadores do século XIV e os humanistas bíblicos, a procurarem formas de produzir um reavivamento espiritual dentro da Igreja Católica Romana.Ao povo inglês desagradava enviar dinheiro para um papa em Avignon, que estava sob influência do inimigo da Inglaterra, o rei francês. Este sentimento nacionalista natural aumentou o ressentimento real e da classe média, por causa do dinheiro desviado do tesouro inglês e da administração do estado inglês através dos impostos papais. Naquela época, a Igreja Romana além de ser riquíssima, possuia um terço de toda a terra da Inglaterra e era isenta de todos os impostos. Os sete papas que regeram desde Avignon tinham a reputação de lobos ao invés de pastores de ovelhas, por causa de sua conduta, suas políticas e ganâncias pelo dinheiro e poder. Foi em meio a este clima de reação nacionalista contra o eclesiasticismo que Wycliff entrou em cena desafiando o papa.Os Intentos de uma ReformaAté 1378, Wycliff queria reformar a Igreja Romana através da eliminação dos clérigos imorais e pelo despojamento de sua propriedade que, segundo ele, era a fonte da corrupção. Em uma obra de 1376 intitulada “Of Civil Dominion” (Sobre o Senhorio Civil), Wycliff exigia uma base moral para a liderança eclesiástica. Deus concedia aos líderes o uso e a posse dos bens, mas não a propriedade, como um depósito a ser usado para a sua glória. A falha da parte dos eclesiásticos em cumprir suas próprias funções era uma razão suficiente para a autoridade civil tomar os seus bens. Vivendo na época da “Guerra dos Cem Anos” entre a Inglaterra e França, Wycliff começou sua reforma atacando a autoridade papal em 1378, e a se opor aos dogmas da Igreja Romana, afirmando que Cristo e a Bíblia eram a autoridade única para o crente . Por causa disso, ele tornou a Bíblia acessível ao povo comum em sua própria língua. Em 1380, terminou a tradução completa do Novo Testamento, e em 1382, seu cooperador Nicholas de Hereford, terminou o Velho Testamento.Os Ensinos de WycliffO papa Gregório XI o condenou, mas Wycliff foi protegido por várias famílias nobres do reinado, especialmente pelo Duque de Lancaster, John ofGaunt, filho de Eduardo III.
Também na mesma época, refutou a doutrina católica da transubstanciação, evidenciando que o padre não podia reter a salvação das pessoas por ter em suas mãos o “corpo e o sangue de Cristo” na comunhão. Ele condenou o dogma do purgatório, uso de relíquias, romarias, venda de indulgências e o ensino da infalibilidade papal. Todos os seus ensinos foram condenados em Londres, em 1382, e foi obrigado a se retirar para seu pastorado em Lutterworth.A partir de 1381 até sua morte, Wycliff dedicou-se ao estudo das Escrituras e a escrever algumas obras muito importantes que defendiam a veracidade da Palavra de Deus, além da tradução da Bíblia.
As obras mais proeminentes foram:
A Verdade das Sagradas Escrituras: escrita em 1378, na qual ele retrata a Bíblia como regra de fé e prática, pela qual a Igreja, as tradições, os concílios e inclusive o papa deveriam ser provados. Ele também escreveu que as Escrituras contêm tudo necessário para que o homem seja salvo, sem necessidade de tradições adicionais. Wycliff defendia que as Escrituras deveriam ser lidas por todos os homens e não somente pelo clérigo.
O Poder do Papa: Escrita em 1379, na qual ele descreve o papado como um ofício instituído pelo homem e não por Deus. Ele explica que o poder do papa não se extende ao governo secular, e que sua autoridade não é derivada do seu ofício, mas sim de seu caráter moral e cristão. Ele dizia que o papa que não seguia a Jesus Cristo, era o Anticristo.Apostasia: escrita em 1379, na qual ele condena a doutrina romana da transubstanciação.
Eucaristia: escrita em 1380, uma extensão da obra anterior, onde ele denuncia esta heresia em vários aspectos como: inovação recente, filosoficamente incoerente e contrária à Bíblia Sagrada. Ele condena a Tomás de Aquino e seu ensinamento que diz que o pão e o vinho se transformam no corpo e sangue de Cristo. Em seu livro, Wycliff descreve que o pão e o vinho mantém a sua forma, sendo um sacramento em memória do corpo e do sangue de Cristo. O Resultado do Trabalho de Wycliff O movimento reformador significou também um protesto e uma reação contra os tempos atribulados e contra uma igreja decadente e corrompida. Revoltas sociais e políticas eram comuns no século XIV. A Peste Negra em 1348 e 1349 dizimou pela morte cerca de um terço da população da Europa. A Revolta dos Camponeses em 1381, na Inglaterra, era uma evidência da insastifação social associada com as idéias de Wycliff. Para se certificar que o povo inglês não permaneceria nas trevas dos dogmas católicos, Wycliff fundou um grupo de pregadores leigos chamados Lolardos, os quais pregaram os seus ensinamentos por toda a Inglaterra, até que a Igreja Romana em 1401, por força da declaração “De HaereticoComburendo” pelo Parlamento, introduziu a pena de morte como castigo para os tais pregadores. Entretanto, estes jamais foram aniquilados. Os Lolardos ajudaram a preparar o caminho, ainda que ocultamente, para a grande Reforma na Inglaterra. Os boêmios que estudavam na Universidade de Oxford, ao regressar à sua terra, trouxeram os ensinos de Wycliff, os quais influenciaram a vida de John Huss e a Reforma da Boêmia
Sua Condenação Após a MorteAs habilidades de Wycliff influenciaram na preparação do caminho para a reforma na Inglaterra. Em 1384, ele morre de derrame. John Huss, influenciado pelos ensinos de Wycliff, foi tido como herege e queimado na estaca em 1415 pelo Concílio de Constança. Como não seria diferente, Wycliff depois de morto, também foi condenado como herege pelo mesmo Concílio, e 45 de seus ensinamentos foram tidos como heresias. Por causa disso, a Igreja Romana deu ordem para cavar sua sepultura, queimar os seus ossos, e lançar suas cinzas no rio Swift em 1428. John Wycliff foi o principal expoente de medidas reformadoras, e por isso é chamado de “Estrela d’Alva da Reforma”. John HussNascido em Hussinec, na Boêmia, hoje Tchecoslováquia, em 1373, de uma família pobre que vivia da agricultura. Ele recebeu boa educação elementar e cursou na Universidade de Praga (capital atual da República Tcheca), onde terminou seu mestrado em Filosofia no ano de 1396. Dois anos depois, Huss começou ensinar na Universidade, e em 1401, veio a ser o seu reitor. Em 1400, Huss foi separado como padre e foi-lhe entregue a responsabilidade da prestigiada Capela de Belém. Após o casamento do rei inglês, Ricardo II da Inglaterra com Ana, filha do imperador Carlos IV da Boêmia em 1382, os ensinamentos de Wycliff foram logo introduzidos no país. Estudando-os bem de perto, Huss começou não só a pregar, como também traduzir as obras de Wycliff na língua Tcheca.Pregador e Precursor da Reforma na BoêmiaEm 1403, Jan Huss se propôs a reformar a Igreja Romana na Boêmia, ensinando que o papado não tinha nenhuma autoridade de oferecer a remissão dos pecados através da venda de indulgências, como também questionou a legitimidade dos dois papas rivais Gregorio XII e AlexandreV. Por esta razão, em 1408, os incontentos padres e colegas da Universidade de Praga condenaram a Huss, e como resultado, foi proibido de exercer suas funções eclesiásticas em Praga. Um ano depois, ele recebe novas acusações de estar ensinando heresias; mas não para de pregar na Capela de Belém. Em 1411, Huss é excomungado de sua congregação, e todos os cultos, cerimônias de batizado e funeral foram anulados.Tal ato trouxe grande revolta nos cidadãos de Praga, os quais defenderam a Huss. O cúmulo da corrupção papal sucedeu em 1412, quando João XXIII lançou uma cruzada contra o Rei Ladislau de Nápoles, e ofereceu a remissão completa de pecados a todos os que participassem na guerra, ou a venda da indulgência para os que a suportassem. Ao ouvir tal notícia contrária a todos os preceitos bíblicos, Huss se levanta e ataca o papado de usar sanções espirituais e indulgências para fins pessoais e políticos. Em contra-ataque, Jan Huss foi excomungado de Roma e obrigado a deixar Praga.A Intimidação Se Inicia Durante o seu exílio, Huss teve a oportunidade de concluir uma de suas obras mais importantes, “De Ecclesia”. No ano de 1414, os líderes da Igreja Romana se reuniram para um Concílio em Constança (atualmente na Alemanha), e John Huss foi convocado a comparecer a fim de esclarecer seus ensinos controversiais com o da Igreja. O imperador Boêmio, Sigismund, prometeu salvo-conduto, mas, após um mês em Constança, os seguidores do Papa João XXIII o prenderam, e ele foi impelido pelo Concílio de se retratar. Husspermanceceu preso durante os sete meses de seu julgamento, e pouca oportunidade foi-lhe dada de se defender. Por não voltar atrás, Jan Huss foi condenado como hereje, despido e queimado na estaca fora da cidade no dia 6 de julho de 1415. Huss morreu cantando o hino em grego “Kyrie eleeson” (Senhor, tem misericórdia). O local de sua morte é marcado até hoje com uma pedra memorial. Como Wycliff, Huss lutou pela reforma da Igreja pagando o preço com sua vida. Os perseguidores destruíram o corpo, mas não os ensinos de Huss, que foi espalhado por toda a Europa por seus discípulos mais radicais, conhecidos como Taboritas. Estes rejeitaram tudo na fé e na prática da Igreja Romana que não se encontrasse na Bíblia. Destes discípulos surgiu a Igreja Moraviana, a qual tornou-se mais tarde numa das igrejas de mais visão missionária da História da Igreja. O resultado do trabalho de Huss e de tantos outros foi vista um século depois, na pessoa de Lutero. William TyndaleNascido em 1494, na parte oeste da Inglaterra, Tyndale graduou-se na Universidade de Oxford em 1515, onde estudou as Escrituras no Hebraico e no Grego. Quando tinha 30 anos, fez uma promessa que haveria de traduzir a Bíblia para o Inglês, a fim de que todo o povo, desde o camponês até a corte real, pudesse ler e compreender as Escituras em sua própria língua. A Igreja Católica proibia severamente qualquer pessoa leiga ler a Bíblia. Segundo o clero, o povo simples não podia compreender as Sagradas Letras, e tinha que ter a sua ajuda. A interpretação era feita segundo a sua conveniência, e esta para fins políticos e financeiros.O Reformador Inglês e Tradutor da Bíblia
Com este desejo em seu coração, Tyndale partiu para Londres em 1523, buscando um lugar que pudesse dar início ao seu projeto. Não sendo recebido pelo bispo de Londres, HumphreyMunmouth, um comerciante de tecido, lhe deu todo apoio necessário. Em 1524, Tyndale foi obrigado a deixar a Inglaterra e partir para Alemanha, para dar continuidade ao seu trabalho, em vista das grandes perseguições por parte da Igreja Católica. A proibição da leitura da Bíblia agravou-se de tal maneira, que até mesmo se uma criança recitasse a oração do “Pai Nosso” em inglês, toda sua família era condenada a ser queimada na estaca. Na Alemanha, ele se estabeleceu na cidade de Hamburgo, e provávelmente conheceu a Martinho Lutero, pois eram contemporâneos. Ambos traduziram o Novo Testamento baseado no Manuscrito Grego compilado por Erasmo em 1516. William Tyndale concluiu a tradução do Novo Testamento em 1525. Quinze mil cópias em seis edições foram impressas pela proteção de Thomas Cromwell, um vice-regente do rei Henrique VIII, e contra-bandiadas através de comerciantes para a Inglaterra, entre os anos de 1525 a 1530.
A Intimidação Começa.
As autoridades da Igreja Romana deram ordem para confiscar e queimar todas as cópias da tradução de Tyndale, porém eles não podiam parar o fluxo da entrada de Bíblias vindas da Alemanha para a Inglaterra. Até mesmo na Escócia, os mercadores escoceses estavam levando a Bíblia para o seu povo. O próprio William não podia regressar à Inglaterra, pois estava sendo buscado e tido como um “fora-da-lei”, a leitura de seus escritos e tradução haviam sido legalmente proibidos. Contudo, ele continuou suas revisões e correções até que sua edição final do Novo Testamento foi cumprida em 1535. Com esta conclusão, Tyndale iniciou a tradução do Velho Testamento, porém não viveu bastante a ponto de terminá-la. Ele traduziu o Pentateuco, o livro de Jonas e alguns livros históricos. Em Maio de 1535, Tyndalefoi preso e levado a um castelo perto de Bruxelas onde ficou aprisionado por mais de um ano. Durante este tempo, um de seus companheiros, Miles Coverdale, concluiu a tradução do Velho Testamento, baseada na tradução de seu companheiro. Chegou o dia do julgamento de William Tyndale, ele foi condenado à morte por haver colocado as Escrituras na mão do povo inglês. No dia 6 de Outubro de 1536, ele foi estrangulado e logo após queimado na estaca em público. Porém, suas últimas palavras antes de morrer foram: “Senhor, abre os olhos do Rei da Inglaterra.”

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A IMPORTÂNCIA DO SABER CUIDAR NA PRÁTICA PASTORAL[1]






A importância do saber cuidar na prática pastoral[1]

Ary Carvalho Junior[2]

Resumo
O presente artigo oferece um panorama sobre a importância do cuidado pastoral em suas dimensões bíblica, teológica e psicoterapêutica, focalizado no desenvolvimento das pessoas e da congregação.  Mostra a dimensão conceitual do cuidado, bem como os seus significados e a prática do aconselhamento como forma de cuidado pastoral nos dias atuais.

Palavras-chave: cuidado, aconselhamento pastoral, ética.



THE IMPORTANCE OF KNOWING TO TAKE CARE OF IN THE PRACTICAL PASTORAL

Abstract
The present article offers a panorama on the importance of the pastoral care in its dimensions biblical, theological and psicotherapeutic, focused in the development of the people and the congregation.  It shows the conceptual dimension of the care, as well as its meanings attributed for some authors and the practical one of the counseling as form of pastoral care in the current days.
Key-words: care, pastoral care, ethical.


INTRODUÇÃO
A intenção deste texto, não é simplesmente ponderar sobre o cuidar como uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilidade e de envolvimento afetivo com o outro, mas sim, mostrar que o cuidado pastoral é o sinal da presença de Jesus, e quem concede este cuidado, precisa ser um mensageiro da esperança e da cura de Cristo.
O cristianismo nos apresenta o Deus Encarnado, Jesus de Nazaré, como alguém que dispensou cuidados, inclusive tocando pessoas enfermas, curando-as e colocando as mãos sobre a cabeça das crianças, abençoando-as.  O cuidado de Jesus para com os outros era imensamente prático. 
A sociedade atual conseguiu desenvolver uma comunicação superficial em que se fala muito e, às vezes, animadamente, mas sem interação pessoal, sem revelar quem realmente é o falante e quem é o ouvinte. Os relacionamentos atuais são úteis para a manutenção dos vínculos de amizades dentro de um grupo ou comunidade, mas pouco revela da personalidade, do caráter, do jeito de ser dos indivíduos, mantendo-se escondidos nas mais diversas formas.
A técnica do aconselhamento pastoral precisa ser organizada.  Os pastores e agentes pastorais precisam resgatar o sentido primevo, que se reflete na palavra cuidar.  O pastor é aquele que provê alimento.  Este alimento, que é a palavra de Deus, unida às ações reais no cotidiano das pessoas, precisa conduzi-las a formação de Cristo nas suas vidas. O cuidado pastoral vai sempre acontecer em um campo aberto, onde pensamentos, valores, anseios, sentimentos aflorarão na medida em que esta pessoa vai se abrindo para a transformação da mente e do coração. A este respeito, Mack[3] (2004, p. 12), escreve:
O aconselhamento verdadeiramente cristão está fundamentado, de modo consciente e abrangente, na Bíblia, extraindo dela a sua compreensão a respeito de quem é o homem, da natureza de seus problemas, dos “porquês” destes problemas e de como resolvê-los. Em outras palavras, o conselheiro precisa estar comprometido, de modo consciente e envolvente, com a suficiência das Escrituras para resolver e compreender todas as dificuldades não-físicas, relacionadas ao pecado, que afetam o próprio indivíduo e seu relacionamento com os outros. Muitos em nossos dias se declaram conselheiros cristãos, mas não afirmam a suficiência das Escrituras. Em vez disso, eles crêem que precisamos de discernimento proveniente de teorias psicológicas e extra-bíblica para compreendermos e ajudarmos as pessoas, especialmente se elas têm problemas sérios. Para tais conselheiros, a Bíblia possui autoridade apenas designadora (ou seja, como um instrumento que nomeia) e não funcional (atual, genuína e respeitada quanto à pratica) no aconselhamento. Estes conselheiros reconhecem que a Bíblia é a Palavra de Deus e, por isso, digna de respeito, mas, quando se refere a entender e resolver muitos dos problemas autênticos da vida, eles crêem que a Bíblia possui valor limitado. Onde quer e por quem quer que seja realizado esse tipo de aconselhamento, somos convencidos de que, embora o conselheiro seja um crente, seu aconselhamento é sub-cristão, porque não está fundamentado, de modo consciente e abrangente, na Bíblia.

Todo processo de cuidado pastoral é uma ação ou realização continuada e prolongada de alguma atividade que vise, ao final, o bem-estar daquele que necessita de cuidados.  Trilhar esse caminho de auxílio ao outro exige uma análise critica dos fatores que envolvem a vida da pessoa em questão. Isso pode revelar as diversas origens do problema e, também, direcionar para os melhores caminhos a fim de solucioná-los.

A filologia do cuidar
             No exemplo da compaixão do cristianismo ao longo dos séculos, encontramos a força do cuidado, do desejo de dedicar-se ao outro com interesse, compromisso, e muito amor. Jesus, os apóstolos e a igreja cristã têm dado sentido ao cuidar, através de incontáveis exemplos registrados na Bíblia e na história da humanidade. O cristianismo entendeu sua forma de ser no mundo caminhando pelo cuidado.
Conforme Leonardo Boff[4] (2001, p. 33), a palavra cuidado tem a mesma raiz da palavra cura.  Em sua forma mais antiga, no latim, cura escrevia-se coera e era usada num contexto de relações de amor e amizade. No entanto, lembra o próprio autor, outros pesquisadores consideram-na derivada de cogitare-cogitatus, no latim, cujo sentido é o mesmo de cura: cogitar, pensar, colocar atenção, mostrar interesse, revelar uma atitude de desvelo e de preocupação.
O cuidado (cogitatu, ou seja, pensado) somente surge quando a existência de alguém tem importância pessoal. Cuidado significa, então, desvelo, solicitude, diligência, zelo, atenção, bom trato. O cuidado tem sido lugar de encontro interdisciplinar de saberes que se projetam tanto no ser humano quanto no cosmos. É possível o cuidado a objetos, plantas, animais, rios, pessoas ou ao planeta Terra.
A partir desse valor substantivo emerge a dimensão de alteridade, de respeito, de sacralidade, de reciprocidade e de complementaridade. Leonardo Boff destaca que “o cuidado significa uma constituição ontológica sempre subjacente, sendo a constituição ontológico-existencial mais original do ser humano”. O autor defende uma relação entre cuidado e compaixão, compreendendo o ser humano como um “ser de cuidado e de compaixão".
Cuidado significa, então, desvelo, solicitude, diligência, zelo, atenção, bom trato. Trata-se, como se depreende, de uma atitude fundamental. Como dizíamos anteriormente, cuidado implica um modo-de-ser mediante o qual a pessoa sai de si e se centra no outro com desvelo e solicitude. Temos, nas línguas latinas, a expressão “cura d’almas” para designar o sacerdote ou o pastor cuja incumbência reside em cuidar do bem espiritual das pessoas e acompanhá-las em sua trajetória religiosa. Tal diligência não se faz sem fino trato, sem zelo e dedicação, semesprit definesse, como convém às coisas espirituais. (BOFF, 2001, p. 33)
Na atividade pastoral, o cuidado é condição sine-qua-non, pois cuidar pressupõe que há alguém que cuida e alguém que é alvo desse cuidado.
Assim como Leonardo Boff, em Saber Cuidar, lembra-nos da importância do cuidado a partir do ato de cativar. Ao se cativar alguém, ganha-se sua simpatia, sua estima, seu querer bem. Em contrapartida, essa palavra dá origem à outra, nada simpática: cativeiro, que significa prisão, escravidão, sofrimento.

O aconselhamento como forma de cuidado pastoral
"Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e meu fardo é leve."
                                                                                                                  Mateus 11.28

Max Lucado (2002) em seu livro “Aliviando a Bagagem” destaca: “De todos os animais criados por Deus, a ovelha é a menos capaz de cuidar de si própria”.
Não foi por acaso que Davi escolheu a ovelha para ilustrar o ser humano. Assim como as ovelhas precisam e dependem de um pastor, o ser humano precisa de um pastor que o ajude a entender qual a melhor direção a seguir, o melhor alimento para a sua alma, o melhor lugar para repousar e recompor suas forças, o ser humano precisa e muito de Deus.
O pastoreio depende essencialmente do amor de Deus pelas suas ovelhas. O amor, biblicamente falando, não é definido apenas como um sentimento. O amor se expressa em ações concretas na relação com a pessoa amada. O vocábulo grego ágape traduzido por amor nos textos do Novo Testamento, pressupõe sacrifício e disponibilidade pessoais em relação à pessoa amada. Davi, diz que o Senhor Deus, na condição de Grande Pastor, vivencia esse amor em ações concretas.
Paul Tillich (1959, p.21) assevera que o cuidar é universalmente humano: "O cuidar é universalmente humano. Ninguém pode cuidar de si mesmo em todas as situações. Ninguém pode, até mesmo, falar a si próprio sem que lhe tivesse sido falado por outrem”.      
Ronaldo Sathler Rosa (2004) em “Cuidado Pastoral em Tempos de Insegurança” trabalha como eixo central o tema do cuidar, cuidar como elemento fundamental nas relações que procurem à fidelidade e que motivem o serviço para o livre caminhar das pessoas, grupos, famílias no difícil caminho do abandono de si mesmas.
Aconselhamento Pastoral pode ser definido como um processo através do qual “as pessoas se encontram para repartir lutas e esperanças”. A motivação para o exercício dessa modalidade de cuidado tem raízes, especialmente, na mensagem bíblica do Reino de Deus que anuncia a Boa Nova para a humanidade. Nessa tarefa podemos recorrer, além dos recursos tradicionais do pastoreio cristão, tais como as Escrituras, a tradição, a oração, os meios de graça e a teologia, às ciências que investigam a natureza humana e que têm como compromisso a busca da plena saúde humana. Wayne Oates (1974, p. 9-10) define Aconselhamento Pastoral como:
[...] “disciplina não-médica cujos objetivos essenciais são facilitar e agilizar o crescimento da personalidade; ajudar as pessoas a modificarem padrões de vida com os quais estão insatisfeitas e prover companheirismo e sabedoria para as pessoas que estão enfrentando perdas e desapontamentos.”

Vivemos em um mundo em que muitos se sentem solitários. Às vezes não têm a quem procurar para dividir suas preocupações, suas lutas e suas alegrias. A figura do pastor representa, para muitos, um porto seguro onde as pessoas podem se ancorar, narrar suas dificuldades e, mais importante, podem ser ouvidas com atenção. Quando se encontra alguém disposto a ouvir essa atitude cria condições para que as pessoas ganhem novas perspectivas sobre si mesmas e sua existência.
É preciso dar atenção às palavras ditas pelas pessoas que procuram apoio pastoral. É fundamental entender que para quem está falando não foi fácil chegar até esse momento de procurar ajuda e expor a sua vida. Nesse caso, fala-se, também, através do longo silêncio e dos espaços silenciosos, do olhar com ternura e interesse. É preciso aceitá-los como expressão de sentimentos difíceis de serem ventilados. Podemos aprender a “ouvir” o silêncio de outras pessoas, suas expressões e a nos sentirmos à vontade com o nosso próprio silêncio diante do inexplicável, do imponderável, do inesperado. O silêncio também fala. E a Palavra pode desvelar-se no silêncio. Como lembra G. Gutierrez (1984 p. 44), “a teologia é um falar enriquecido por um calar”.
O Aconselhamento Pastoral tem como objetivo promover a maturidade cristã, ajudar as pessoas amadurecerem, entrando numa experiência mais rica de adoração a Deus, numa vida mais efetiva de serviço a Deus e ao próximo, em todos os momentos e circunstâncias da vida.  Deve levar o aconselhando a deportar-se com todos e quaisquer problemas da vida, com uma determinação de agir coerentemente com as Escrituras. E conseqüentemente desenvolvendo um caráter interior que se conforme com o caráter (atitude) crenças e propósitos de Cristo.
O pastor, ao lidar com problemas apresentados, deve levar em conta a dignidade da imagem de Deus e a depravação do pecado como sendo elementos fundamentais do ser humano, tendo compaixão pelo pastoreado e sabedoria para falar do pecado, como algo possível de se abandonado em prol de uma nova forma de vida. O Teólogo Julio César Zabatieiro diz que para o pastor cuidar bem do rebanho de Cristo ele precisa primeiro ser cuidado pelo Supremo Pastor.
Muitos pastores e modelos pastorais hoje têm uma visão do cuidado pastoral na moldura da multidão no templo, do frenesi momentâneo produzido na reunião, na cura realizada, nas campanhas destituídas de afeto relacional e de interesse genuíno na dor do outro.
O cuidado pastoral não pode ser somente via púlpito, via reunião em suas várias expressões, mas ele deve seguir o modelo cristológico da aproximação, da compreensão, da percepção, da misericórdia, do ensino curador, libertador, do envolvimento em todas as facetas da vida desde a alegria até a tristeza, a dor, desde a vida ate a morte desde o ganho ate a perda. Ele deve estar solidificado na justiça e na paz.
Henry Nouwen (2001) em seu livroO Sofrimento que Cura”, mostra que o cuidado pastoral contemporâneo deve ser margeado também por uma compreensão do componente humano, mostrando também a visão macro do ministério e do cuidado pastoral que abrange não só a “igreja”, mais o “bairro”, a “cidade” e o “mundo” do Senhor. Um cuidado integralizado, pois Jesus Cristo, modelo de cuidado pastoral, não armou a sua tenda num “gabinete pastoral” e esperou as pessoas virem a ele, mas ele armou sua tenda de cidade em cidade, abençoando as vidas na busca do perdido, na busca da justiça em seu tom integral, na busca do fraco, dos injustiçados, na busca dos que não tinham amigos, na busca do perdido.
Jesus Cristo, em seu cuidado pastoral, não priorizou a multidão mais o indivíduo que faz parte da multidão.  Hoje essa atitude é bem diferente.  Muitos pastores valorizam o aglomerado humano como massa de manobra do que o indivíduo como imagem de Deus, priorizam o reino aqui e agora e o patrulhamento ideológico como sucesso terreno, gloria humana, corredor da fama, trocadilho financeiro, promessas de um pseudo Celeste por vir em contornos humanistas, e uma ênfase demasiada na pregação egocêntrica e das necessidades.
A reformulação da excelência do ministério e do cuidado pastoral é sem dúvida necessária e urgente e deve ter a cruz de Cristo como modelo. David Hansen (2001) em seu livro “A Arte de Pastorear”, diz que o cuidado pastoral e o ministério pastoral jamais podem ser dirigidos por tendências contemporâneas como modismo, tarefas, entre outros.  Ele faz uma crítica aos teólogos profissionais que reduziram o trabalho pastoral em realização de coisas e isso gera uma falta de tempo para a leitura já que os teólogos profissionais reclamam que pastores quase não lêem.
 Ele diz que devemos prestar atenção em duas áreas do ministério de Jesus Cristo que é importante para esse resgate do excelente: Primeiro o seu “ministério” e segundo o “roteiro de sua vida”.
O Aconselhamento Pastoral hoje constitui dentro dos princípios e das práticas cristãs, um dos setores específicos do ministério do Pastor. Pois o Aconselhamento Pastoral abrange uma área de especialização na teologia pastoral. Tem como propósito, dentre outros, a re-orientação para a vida, educação, higiene mental, recondução e a administração da vida espiritual.
          Tem como objetivo, ajudar a pessoa a enfrentar eficazmente a situação difícil e voltar ao seu nível comum de comportamento. Diminuir a ansiedade, a apreensão e outros tipos de insegurança que possam persistir depois de ter passado a crise. Ensinar técnicas de solução de crises, a fim de que a pessoa fique melhor preparada para antecipar e tratar das crises futuras. E considerar os ensinos bíblicos sobre as crises, a fim de que a pessoa aprenda com as mesmas e cresça como resultados dessa experiência.


O CUIDADO E A ÉTICA PASTORAL

Richard L. Mayhue[5] mostra quais são as responsabilidades básicas do pastor baseado na epístola do apóstolo Paulo aos irmãos de Tessalônica:
Orar
(I Ts.1.2,3;3.9-13); Evangelizar (I Ts.1.4,5,9,10); Capacitar (I Ts.1.6-8); Defender (I Ts. 2.1-6);  Amar (I Ts. 2.7,8);  Labutar  (I Ts.2.9);  Exemplificar   (ITs.2.10); Liderar (I Ts.2.10-12);  Alimentar (I Ts. 2.13); Vigiar (I Ts.3.1-8);  Alertar (I Ts. 4.1-8); Ensinar (I Ts. 4.9-5.11); Exortar (I Ts. 5.12-24); Encorajar (II Ts. 1.3-12); Corrigir (II Ts. 2.1-12); Confrontar (II Ts. 3.6,14) e Resgatar (II Ts. 3.15).
A comunicação, na prática do aconselhamento pastoral precisa ser terapêutica, embora o processo de aconselhamento não seja ‘terapia’, em sentido estritamente técnico-profissional. Ou seja, em seu modo próprio, proclama a Palavra de salvação - cuja expressão na Bíblia acha-se associada a termos tais como ‘saúde’, ‘paz’, ‘bem-estar’, que se torna visível, também, em condições gerais de bem-estar, na saúde e em relacionamentos significativos. Além disso, pastores e pastoras devem honrar o compromisso da confidencialidade.
Em seu livro “Despertando para um Grande Ministério”, H.B London Jr. e Neil B. Wiseman pensando em termos ministeriais dizem que:
Toda a responsabilidade é terra santa por que Jesus se entregou pelas pessoas que vivem ali. Todo lugar é importante por que Deus quer que você realize algo sobrenatural ali. Toda situação é especial por que o ministério é necessário ali. Como a Rainha Ester, você veio para o Reino para um tempo como este. (LONDON JR & WISEMAN,1996, p.20).

 Isso é um fato importante a ser tratado por que o cuidado pastoral deve ser elevado á um grau de excelência e não uma peça decorativa na atividade poimênica. A igreja corpo de Cristo tem que ser cuidada, protegida, amada, curada, sanada, crescente e isso somente acontecerá a partir de uma visão cristológica.
Como a rainha Ester (Ester 4.16), este é o nosso tempo e não podemos deixar escapar o sobrenatural de Deus nas vidas das pessoas a partir de um cuidado pastoral sadio. O Brasil contemporâneo a nível eclesial tem enfrentado muitos problemas no campo eclesiástico e doutrinal em virtude do pragmatismo e o afastamento dos princípios da palavra de Deus, porém urge a hora que Deus nos chama para fazer diferença em épocas nebulosas.
Com a Bíblia nas mãos e com o coração encharcado de misericórdia e compaixão, é possível celebrar a comunhão como caminho de cura e ação terapêutica no cuidado pastoral como expressou o Dr. Larry Crabb  (2000) em seu livro “O lugar mais seguro da Terra.
 O cuidado pastoral não é feito somente por uma única pessoa e sim pela comunidade da fé, esse cuidado também não está trancado no chão geográfico eclesial mais ele se move em busca do aflito em solução de conflito apaziguando as beligerâncias humanas. Ele se mistura e se envolve no drama do outro e no rosto do outro contempla a face de Deus.
Esse cuidado pastoral não se move em busca de honra, favor, glória, fama mais ele se posiciona como se posicionou o bom samaritano que atendeu o ferido sem pedir nada em troca e viu no outro o seu próximo.


Conclusão

O objeto do ministério pastoral resume-se numa única palavra: gente. Gente no sentido de indivíduo, de pessoa como entidade, única e incomparável. Gente de todo tipo, pois uma das grandes marcas da igreja de Cristo é a diversidade. A igreja é formada por indivíduos, cada um com sua história de vida, com seus talentos e com suas necessidades. E muitas dessas necessidades exigem que o pastor esteja preparado a prestar nada menos que um atendimento personalizado e sob medida.    
O aconselhamento é o remédio que o pastor tem em mãos para tratar as feridas emocionais que muitas ovelhas carregam pela vida. Utilizar-se das Escrituras para exercer o aconselhamento é uma tarefa sábia para os pastores que estão comprometidos com o crescimento espiritual de suas ovelhas.
A prática do aconselhamento pastoral é fundamental na sociedade em que vivemos. As pessoas continuam com problemas, mas a igreja pode ajudá-las a vencer a si mesmas, às dificuldades interiores e aos obstáculos que se formaram no decorrer de sua existência. As pessoas precisam ser cuidadas, necessitam de apoio para continuar sobrevivendo e há métodos que podem ser utilizados pelo conselheiro pastoral.
Esse conselheiro não precisa ser necessariamente o pastor da igreja. Membros da igreja podem receber treinamento teórico e prático para auxiliar a liderança da igreja e ajudar aqueles que necessitam de cuidados.
À medida que entendemos que a igreja é uma comunidade terapêutica, uma comunidade da poimênica, que presta assistência, promove cura e possibilita crescimento, então é certo dizer que também cabe ao pastor a tarefa de treinar a igreja nesta vocação, a fim de que seus membros desenvolvam na prática a verdade do “sacerdócio universal de todos os santos”, sendo ministros uns dos outros. O papel do pastor consiste em treinar, inspirar e supervisionar as pessoas leigas no ministério.
Podemos perceber então a importância do trabalho pastoral na transformação de uma igreja local em comunidade terapêutica. Pastores saudáveis e equilibrados, ou pelo menos conscientes de suas limitações e em busca de sua integralidade, saberão orientar os membros rumo ao crescimento. Por outro lado, pastores sem esta consciência, desfocados de sua integralidade, dificultarão e prejudicarão o desenvolvimento dos membros de sua comunidade.
Poderíamos dizer então que, neste caso, pastores nervosos gerarão igrejas neuróticas. Quão grande é a responsabilidade do pastor quanto ao bem estar e crescimento da igreja rumo ao cumprimento de sua missão integral.


ReferÊncias

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CRAAB, L. O Lugar mais seguro da Terra. São Paulo: Mundo Cristão, 2000.

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LONDON H.B. - WISEMAN Neil Despertando Para um Grande Ministério: Um Livro de Pastor para Pastor. Traduçao Guilherme Kerr. Sao Paulo: Editora Mundo Cristao 1996.

LUCADO, Max. Aliviando a bagagem. RJ:  CPAD, 2002. 

MACK, Wayne. Características distintivas do aconselhamento cristão: Fé para hoje. São José dos Campos, SP, 2004.

MACARTHUR, JOHN. Redescobrindo o Ministério Pastoral: Moldando o Ministério Contemporâneo aos Preceitos Bíblicos. Traduçao Lucy Yamakami. Rio de Janeiro: Editora CPAD. 1999.

MAYHUE, Richard L.  “A Família do Pastor”, cp. 9 em John MacArthur, Jr. Redescobrindo o Ministério Pastoral. RJ:  CPAD, 1999. 

NOUEWN Henri, O Sofrimento que Cura: Por meio de Nossas próprias feridas, podemos nos tornar fonte de Vida para o Outro, traduçao Pedro Elyseu Scweitzer, Sao Paulo: Ediçoes Paulinas, 2001.

OATES, Wayne. The Bible in Pastoral Care. Philadelphia, Westminster, 1953.
SATHLER-ROSA, Ronaldo. Cuidado Pastoral em Tempos de Insegurança. Uma Hermenêutica Contemporânea. São Paulo: ASTE, 2004.

ZABATIERO, Julio. Cuida (n) do – A Arte do Pastorado, out. – dez 2001.



1 Artigo elaborado a partir das normas da ABNT para a disciplina de Redação Acadêmica do Curso de Graduação em Teologia da Faculdade Evangélica do Paraná – FEPAR.

[2] Graduando em Teologia pela Faculdade Evangélica do Paraná – FEPAR.

[3] Wayne Mack é professor de aconselhamento bíblico no The Master’s College, Califórnia (EUA).
[4] Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor, autor de numerosas obras.
[5] Richard L. Mayhue que faz parte do corpo docente do “Máster Seminary” e uns dos colaboradores do livro “Redescobrindo o ministério pastoral: Moldando o ministério Contemporâneo aos Preceitos Bíblicos”.