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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
domingo, 27 de novembro de 2011
domingo, 13 de novembro de 2011
domingo, 30 de outubro de 2011
As decisões da vida podem estar em nossas mãos Ecl 12
Introdução
V1. Lembra-te – Traga a memória, pare para refletir, pense no que você já fez
até aqui, projete quantos anos de vigor você ainda tem pela frente e o que você
vai fazer com estes anos. (estudar, casar, viajar, comprar, etc), escrever é um
habito bom, pois permite rever em que ponto da vida você chegou.
I.O tempo é implacável
V2.Escureçam o sol,a lua, e as
estrelas ( as vistas se tornem fracas).V3. Tremerem os guardas ( fraqueza nos
braços), se curvarem os homens fortes ( as pernas), cessarem os moedores
(dentes), V4 lábios se fecharem (fraqueza das cordas vocais, o ouvido não será
o mesmo), temer o que é alto( medo de altura, perda do espírito de aventura,)
espantares no caminho ( dificuldade de andar), e te embranqueceres( cabelos
brancos), perda de apetite ( perder o gosto das coisas, pizza nunca mais), vais
a casa eterna ( ela chegou a morte), foi de prata ( coluna), copo de ouro
(crânio), e o pó volte à terra
(sepultura), e o espírito volte a Deus( juízo eterno).
II. A força dos jovens nos nossos dias
I jo2.13 “ Pais, eu vos escrevo,
porque conheceis aquele que existe desde o princípio, jovens, eu vos escrevo,
porque tendes vencido o maligno.” Bons princípios, no namoro, nos estudos, na
família, com amigos, na igreja, na sociedade.Ecle. 11.9 O conselho pode ser
praticado pelo seu lado bom. Como a igreja pode fortalecer os jovens Ef 6.4
“... pais não provoquem vossos filhos à ira.” quando os jovens são tratados
como irresponsáveis.
III. Viver adorando uma é a melhor maneira de se aproveitar a vida
Jo 4.23-24
Altar – Lugar de entrega, de
morte, sacrifício, ouvir a voz de Deus, intimidade com Deus, nossa vida deve a
habitação do Espírito Santo, Icor 3.16
Palco- Lugar de fama, de
aplausos, tudo é possível, de reconhecimento, tudo tem um preço, tem que ter
público.
SL 24.3-4, SL15- Conselhos para
se chegar a uma vida de adoração.
Conclusão
Meu testemunho no hospital (se
der tempo). O texto nos ensina que a velhice vai chegar e com ela todas as
limitações da velhice juntos. Mas podemos trabalhar para colher em todas as
áreas da nossa vida boa frutos, e encarar as adversidades com maturidade.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
“No Principio, Criou Deus”

“No Principio, Criou Deus”
Politeísmo (do grego: Poli,
muitos, Théos, deus: muitos deuses) consiste na crença em mais do que uma divindade de gênero masculino, feminino ou indefinido,
sendo que cada uma é considerada uma entidade individual e independente com uma
personalidade e vontade próprias, governando sobre diversas actividades, áreas,
objectos, instituições, elementos naturais e mesmo relações humanas.
O monoteísmo (dogrego
μόνος, mónos, "único", e θεός, théos, "deus":
único deus) é a crença na existência de apenas um só Deus,e não deuses,
diferente do politeísmo que conceitua a natureza de vários de vários deuses.
Refutação: “No principio, Criou Deus” Gên 1:1. X PoLiteísmo.
Segundo a Bíblia, o mundo é obra livre do Onipotente
(único Deus) e foi criado do nada. Isto é, não foi formado de matéria
preexistente, nem teve a participação de outros deuses. No primeiro capitulo de
gênesis a palavra criou é tradução do hebraico BARAH, termo que significa
geralmente vir a existir aquilo que previamente não tinha existência. Do
sentido primitivo da palavra bem como do processo apresentado no registro
mosaico, aprendemos que Deus no principio, do nada criou os céus e a
terra.
Os Pais da Igreja
Os Pais da Igreja
Pais da Igreja, é um resumo
daquilo que realmente viveram em suas épocas. Que possamos tomar o exemplo de
fé, amor pelas almas e ousadia destes homens; e saber que na época em que
vivemos hoje, ainda podemos ser “Heróis da Fé”. Possamos através da graça de
Deus, pagar o preço que nos é proposto, a fim de manter a Igreja edificada, a
defesa do Evangelho e a luta contra todo espírito que queira corromper as
doutrinas da infalível Palavra de Deus.A partir do ano 95 d.C., os líderes ou
bispos, começaram a ser chamados de “Pais da Igreja”, como
uma forma carinhosa, por sua lealdade. O nome “Heróis da Fé” foi usado mais
amplamente a partir do terceiro século para descrever os campeões ortodoxos da
Igreja e os expoentes de sua fé. Os Pais da Igreja são classificados em quatro
grupos:
Os Pais Apostólicos, Os
Apologistas ou Ante-Nicenos, Os Polemistas ou Nicenos, Os Teólogos Científicos
ou Pós-Nicenos. Os Pais Apostólicos são caracterizados pela edificação e
fortalecimento dos crentes na fé; os Apologistas, pela sua defesa aos ataques
contra o Cristianismo; os Polemistas, pela defesa contra heresias dentro da
Igreja; e os Teólogos, pela aplicação da Teologia em áreas filosóficas e
científicas. OS PAIS APOSTÓLICOS
Data: Primeiro Século (30 –
100). Objetivo: Exortar e edificar a Igreja. Preeminentes no Ocidente: Clemente
de Roma. Preeminentes no Oriente: Inácio, Policarpo, Barnabé, Papias, Hermas e
Didaquê. OS APOLOGISTAS Data: Segundo Século (120 – 220). Objetivo: Defender o
Cristianismo. Preeminentes no Ocidente: Tertuliano. Preeminentes no Oriente:
Justino, o Mártir, Taciano, Teófilo, Aristides e Atenágoras. OS POLEMISTAS
Data: Terceiro Século (180 – 250). Objetivo: Lutar contra as falsas doutrinas.
Preeminentes no Ocidente: Irineu, Tertuliano e Cipriano. Preeminentes no
Oriente: Panteno, Clemente, Orígenes e Hipólito.OS TEÓLOGOS CIENTÍFICOS
Data: Quarto Século (325 –
460). Objetivo: Aplicar métodos científicos na interpretação bíblica.
Preeminentes no Ocidente: Jerônimo, Ambrósio e Agostinho. Preeminentes no
Oriente: Crisóstomo e Teodoro. Preeminentes no Alexandria: Atanásio, Basílio de
Cesaréia e Cirilo. Os principais Pais da Igreja, Heróis da Fé PolicarpoNascido
em uma família cristã por volta dos anos 70, na Ásia Menor (hoje Turquia),
Policarpo dizia ser discípulo do Apóstolo João. Em sua juventude costumava se
sentar aos pés do Apóstolo do amor. Também teve a oportunidade de conhecer
Irineu, o mais importante erudito cristão do final do segundo século. Inácio de
Antioquia, em seu trajeto para o martírio romano em 116, escreveu cartas para
Policarpo e para a Igreja de Esmirna. Nos dias do Papa Aniceto, Policarpo
visitou Roma, a fim de representar as igrejas da Ásia Menor que observavam a
Páscoa no dia 14 do mês de Nisan. Apesar de não chegar a um acordo com o papa
sobre este assunto, ambos mantiveram uma amizade. Ainda estando em Roma,
Policarpo conheceu alguns hereges da seita dos Valencianos, e encontrou-se com
Márcio, o qual Policarpo denominava de “primogênito de Satanás”.
A Carta de Policarpo
Apesar de escrever várias
cartas, a única preservada até a data, foi a endereçada aos Filipenses no ano
110. Nesta carta, Policarpo enfatiza a fé em Cristo, e o desenvolvimento da
mesma através do trabalho para Cristo na vida diária. Também faz alusão à carta
do Apóstolo Paulo aos Filipenses e usa citações diretas e indiretas do Velho e
Novo Testamento, atestando-os como canônicos. Na mesma carta, ele repete muitas
informações recebidas dos apóstolos, especialmente de João. Por isto, ele é uma
testemunha valiosa da vida e da obra da Igreja primitiva no segundo século.
Policarpo exorta os Filipenses
a uma vida virtuosa, às boas obras e à firmeza, mesmo ao preço de morte, se
necessária, uma vez que tinham sido salvos pela fé em Cristo. As 60 citações do
Novo Testamento, das quais 34 são dos escritos de Paulo, evidenciam seu
profundo conhecimento da Epístola do Apóstolo aos Filipenses e outras do mesmo
Testamento. Ao contrário de Inácio, Policarpo não estava interessado em
administração eclesiástica, mas antes em fortalecer a vida diária prática dos cristãos.
O Martírio de Policarpo
O martírio de Policarpo é
descrito um ano depois de sua morte, em uma carta enviada pela Igreja de
Esmirna à Igreja de Filomélio. Este registro é o mais antigo martirológio
cristão existente. Diz a história que o procônsul romano, Antonino Pius, e as
autoridades civis tentaram persuadí-lo a abandonar sua fé em sua avançada
idade, a fim de alcançar sua liberdade. Ele entretanto, respondeu com
autoridade: “Eu tenho servido Cristo por 86 anos e ele nunca me fez nada de
mal. Como posso blasfemar contra meu Rei que me salvou? Eu sou um crente”!
No ano 156, em Esmirna,
Policarpo é colocado na fogueira. Milagrosamente as chamas não o queimaram.
Seus inimigos, então, o apunhalaram até a morte e depois queimaram o seu corpo
numa estaca. Depois de tudo terminado, seus discípulos tomaram o restante de
seus ossos e o colocaram em uma sepultura apropriada. Segundo a história, os
judeus estavam tão ávidos pela morte de Policarpo quanto os pagãos, por causa
de sua defesa contra as heresias. Irineu Bispo de Lyon e Polemista
Anti-Gnóstico – Diferentemente dos Apologistas do segundo século que procuraram
fazer uma explanação e uma justificação racional do Cristianismo para as
autoridades, os Polemistas empenharam-se por responder ao desafio dos falsos
ensinos dos heréticos, condenando veemente esses ensinos e seus mestres. Apesar
da maioria dos Apologistas viverem no Oriente, os grandes Polemistas vieram do
Ocidente, sendo Irineu um dos primeiros.Enquanto os do Oriente usavam uma
teologia especulativa dando mais atenção aos problemas metafísicos, os do
Ocidente preocupavam-se mais com os desvios administrativos da Igreja,
empenhando-se em formular uma resposta para os problemas desta esfera. Os
apologistas convertidos do paganismo, preocupavam-se com a ameaça à segurança
da Igreja, especialmente com a perseguição. Os polemistas que tinham uma
formação cultural cristã, preocupavam-se com a heresia e suas ameaças no seio
da Igreja.Seu Crescimento e InfluênciaNascido em Esmirna, na Ásia Menor (Turquia),
no ano 130, em uma família cristã, Irineu era grego e foi influenciado pela
pregação de Policarpo, bispo de Esmirna.
Anos depois, Irineu mudou-se
para Gália (atual sul da França), para a cidade de Lyon, onde foi um presbítero
em substituição do bispo que havia sido martirizado em 177. Irineu também
recebeu influência de Justino. Ele foi uma ponte entre a teologia grega e a
latina, a qual iniciou com um de seus conteporâneos, Tertuliano. Enquanto
Justino era primariamente um apologista, Irineu contribuiu na refutação contra
heresias e exposição do Cristianismo Apostólico. Sua obra maior se desenvolveu
no campo da literatura polêmica contra o gnosticismo.Os Ensinos Heréticos do
Gnosticismo O gnosticismo, a maior das ameaças filosóficas, chegou ao máximo de
sua influência ao redor do ano 150. Suas raízes estão fincadas nos tempos do
Novo Testamento. Paulo parece ter enfrentado uma forma incipiente de
gnosticismo em sua carta aos Colossenses. A tradição cristã associou a origem
do gnosticismo com Simão, o mago, a quem Pedro teve que repreender duramente
(At 8.9-24).Irineu tornou-se o mais expoente escritor e defensor das Escrituras
contra as Heresias Gnósticas na sua era. A palavra gnosticismo é um termo
moderno que cobre uma variedade de seitas do segundo século que propagavam
alguns erros em comum. O Gnosticismo era radicalmente diferente e contrário ao
Cristianismo Ortodóxo. Cada grupo tinha seus próprios escritos. Alguns desses
ensinamentos falsos eram:Crença em um Deus supremo o qual era totalmente remoto
deste mundo.Crença que o Deus supremo não tinha parte na criação, mas que este
trabalho imperfeito foi realizado por uma deidade inferior à ele, identificando
como o Deus do Velho Testamento.Crença que a matéria era má, por isso o Deus
supremo sendo espiritual e bom, não poderia criá-la.Crença que entre o reino
das trevas e o Deus supremo, existe uma hierarquia de seres divinos.Crença que
o nosso corpo, sendo físico, é parte deste mundo, ele é mal; nossa alma é uma
faísca divina que está presa ao corpo, ela é divina.Crença que a salvação é o
escape da alma deste corpo para o reino celestial.Crença que para alcançar o
Deus supremo é necessário que a alma ultrapasse o reino acima de nós, o qual é
controlado pelas estrelas e pelos planetas.Crença que a salvação vinha pelo
conhecimento; gnosis (conhecimento). A Grande Defesa do Teólogo Irineu
Em sua primeira obra,
AdversusHaereses (Contra Heresias) escrita entre os anos 182 e 188, em Lyon,
ele descreve a teologia da fé cristã em refutação aos ensinos heréticos gnósticos
de Valentino e Marcion através das Escrituras. De muitos argumentos feitos por
Irineu, três importantes podem ser ressaltadas:A diferença do sistema gnóstico.
Ele descreve a natureza burlesca de muitas de suas crenças.Os ensinamentos que
os gnósticos diziam ter recebido secretamente dos apóstolos, Irineu os
desafiava argumentando que se os apóstolos tivessem um ensinamento especial a
declarar, eles o teriam confiado às suas próprias igrejas, as quais fundaram.
Ele mostrava como as igrejas estabelecidas pelos apóstolos, e seus dirigentes,
os quais eram apontados pelos mesmos e seus sucessores, cresciam em todo o
império, e permaneciam até a data, ensinando a mesma doutrina.Defesa do Novo
Testamento como canônico, em vista que o gnosticismo não cria nele, e possuía
outras escrituras. No tempo de Irineu, o Novo Testamento era aceito cerca de
como temos agora: os Evangelhos, Atos, Cartas de Paulo e outras epístolas. A
carta aos Hebreus, Apocalipse e algumas epístolas compuseram o Novo Testamento
alguns anos na frente.
A sua obra é composta de cinco
volumes é são assim caracterizadas:
Livro I: Esboço histórico da
seita gnóstica, apresentada em conjunto com uma declaração da fé cristã. Este
volume é a melhor fonte de informação sobre os ensinos dos gnósticos.Era uma
polêmica filosófica contra Valentino, o líder da corrente romana do
gnosticismo.
Livro II: Crítica filosófica
sobre o Gnosticismo. Nele, Irineu insiste na unidade de Deus em oposição aidéia
herética da existência de um demiurgo distinto de Deus.
Livro III: Crítica bíblica
sobre o Gnosticismo. Ele mostra como o Gnosticismo é rejeitado pela Bíblia e
pela tradição mais significativa. Neste livro, Irineu dá ênfase à unidade da
Igreja através da sucessão apostólica de líderes desde Cristo e de uma regra de
fé.Livro IV: Respostas ao Gnosticismo através das palavras de Cristo. Neste,
Marcion, outro líder gnóstico, é condenado pela citação das palavras de Cristo
que se opõem às suas propostas.Livro V: Vindicação da ressurreição contra os
argumentos gnósticos, os quais, segundo as idéias deles, reunia o corpo
material mau com o espírito. A Contribuição de Irineu à Igreja Foi necessário a
habilidade intelectual, a força espiritual deste polemista e o desenvolvimento
de uma regra de fé e um cânon da Bíblia pela Igreja para superar a ameaça desse
movimento ao Cristianismo. Irineu através da sua defesa do Evangelho, foi o
primeiro a declarar os quatro Evangelhos como canônicos, ensinar acerca do
reino milenial de Cristo na terra, defender o episcopado (pastorado) e as
tradições teológicas da verdadeira Igreja Ortodóxa. Ele também é chamado de
“Pai dos Dógmas da Igreja”, por formular os princípios da teologia cristã e
exposição do credo da Igreja.Não só Irineu, mas Polemistas como Tertuliano e
Hipólito engajaram-se na controvérsia literária para refutar idéias gnósticas.
Estes ensinos heréticos reapareceram, parcialmente, em doutrinas dos
Paulicianos do século VII, dos Bogomilos dos séculos XI e XII, e dos
Albingenses posteriores, no sul da França. Irineu em comparação com outros pais
da igreja grega que lhe prescederam, era mais bíblico que filosófico. Ele foi o
primeiro a escrever em sentido teológico para a Igreja. Segundo a história, ele
foi martirizado em Lyon por volta do ano 200.JerônimoErudito das Escrituras e Tradutor
da Bíblia para o Latim. Nascido por volta do ano 345 em Aquiléia (Veneza),
extremo norte do Mar Adriático, na Itália, Jerônimo passou a maior parte da sua
juventude em Roma estudando línguas e filosofia. Apesar da história não relatar
pormenores de sua conversão, se sabe que se batizou quando tinha entre dezenove
e vinte anos. Logo após, Jerônimo embarcou em uma peregrinação pelo Império que
levou vinte anos.Sua viagem iniciou pela Gália, onde estudou Teologia por
alguns anos, aperfeiçoou o grego e adotou a vida monástica. Voltando para
Aquiléia esteve durante três anos trabalhando com o Bispo Valeriano. Em 375,
Jerônimo partiu para Antioquia da Síria, onde aprendeu o hebraico e estudou
intensivamente as Escrituras. Depois de dois anos foi ordenado a padre pelo
Bispo Paulino. Partindo dalí, foi para Constantinopla, onde por dois anos foi
discípulo de Gregório, grande mestre entre Gregório de Nicéia, Basílio de
Cesaréia e outros eminentes Pais da Igreja. Sua PeregrinaçãoSua peregrinação
terminou no ano 382, quando fez-se secretário de Dâmaso, bispo de Roma, que lhe
sugeriu a possibilidade de fazer uma nova tradução da Bíblia. Com a morte de
Dâmaso, Jerônimo partiu de Roma em direção à Palestina, no ano 386. Graças à
generosidade de Paula, uma rica senhora romana a quem tinha ensinado hebraico,
viveu num retiro monástico em Belém, por 35 anos.
Nestes anos, ele dedicou-se em
escrever várias obras. A maior delas, foi a tradução da Bíblia para o Latim,
conhecida como Vulgata. Jerônimo foi cuidadoso na busca de suas informações e
procurou usar as versões mais antigas e manuscritos bíblicos já não existentes.
Trabalhando sobre o princípio que o texto original da Bíblia estava livre de
erros, ele começou um estudo profundo dos manuscritos juntamente com a Septuaginta,
a fim de determinar, entre muitos outros, que texto poderia se considerar como
original e verdadeiro. A Obra de Esmero Entre os anos 386 e 390, ele completou
a tradução, bem como os comentários do Novo Testamento. Entre os anos 390 e
398, ele escreveu muitas obras e comentários que são usados até o dia de hoje;
traduziu escritos de outros eruditos para o Latim; e atualizou a obra de
Eusébio de Cesaréia, “História Eclesiástica”, gravando os eventos ocorridos na
Igreja entre os anos 325 e 378.A partir do ano 398 até 405, Jerônimo terminou o
seu grande projeto, a tradução completa em Latim do Antigo Testamento Hebraico.
Esta versão da Bíblia tem sido amplamente usada pela Igreja Ocidental e tem
sido, até recentemente, a única Bíblia oficial da Igreja Católica Romana desde
o Concílio de Trento. Seu amor pela vida ascética fez dele um propagador do
ascetismo, chegando no final de sua vida, entre os anos 405 e 420, ao extremo
da abstinência da alimentação normal, do trabalho e do casamento.
AgostinhoFilósofo e Teólogo de Hipona, Norte da África. Polemista capaz,
pregador de talento, administrador episcopal competente, teólogo notável, ele
criou uma filosofia cristã da história que continua válida até hoje em sua
essência.Vivendo num tempo em que a velha civilização clássica parecia sucumbir
diante dos bárbaros, Agostinho permaneceu em dois mundos, o clássico e o novo
medieval. Nascido em 354, na casa de um oficial romano na cidade de Tagasta em
Numidia, no norte da África, era filho de um pai pagão, Patrício, e de uma mãe
crente, Mônica. Apesar de não serem ricos, era uma família respeitada. Sua mãe
dedicou-se à sua formação e conversão à fé cristã. Com muito sacrifício, seus
pais lhe ofereceram o melhor estudo romano. Seus primeiros anos de estudo foram
feitos na escola local, onde aprendeu latim à força de muitos açoites. Logo,
foi enviado para a escola próximo a Madaura, e em 375 à Cartago, para estudar
retórica. Longe da família, Agostinho se apartou da fé ensinada por sua mãe, e
entregou-se aos deleites do mundo e a imoralidade com seus amigos estudantes.
Viveu ilegitimamente com uma concubina durante treze anos, a qual lhe concedeu
um filho, Adeodato, em 372. O mesmo morreu cerca do ano 390. Na busca pela
verdade, ele aceitou o ensino herético maniqueísta, o qual ensinava um dualismo
radical: o poder absoluto do mal — o Deus do Antigo Testamento, e o poder
absoluto do bem — o Deus do Novo Testamento. Nesta cegueira ele permaneceu nove
anos sendo ouvinte, porém, não estando satisfeito, voltou à filosofia e aos
ensinos do Neo-platonismo. Ensinou retórica em sua cidade natal e em Cartago,
até quando foi para Milão, Itália, em 384. Em Roma, foi apontado pelo senador
Símaco como professor de retórica em Milão, e depois para a casa imperial. Como
parte de seu trabalho, ele deveria fazer oratórias públicas honrando o
imperador Valenciano II.Sua Conversão No ano 386, quando passava várias crises
em sua vida, Agostinho estava meditando num jardim sobre a sua situação
espiritual, e ouviu uma voz próxima à porta que dizia: “Tome e Leia”. Agostinho
abriu sua Bíblia em Romanos 13.13,14 e a leitura trouxe-lhe a luz que sua alma
não conseguiu encontrar nem no maniqueísmo nem no neo-platonismo. Com sua
conversão à Cristo, ele despediu sua concubina e abandonou sua profissão no
Império. Sua mãe, que muito orara por sua conversão, morreu logo depois do seu
batismo, realizado por Ambrósio na Páscoa de 387. Uma vez batizado, regressou
um ano depois para Cartago, Norte da África, onde foi ordenado sacerdote em
391. Em Tagasta, ele supervisionou e instruiu um grupo de irmãos batizados
chamados de “Servos de Deus”. Cinco anos depois, foi consagrado bispo de Hipona
por pedido daquela congregação, onde permaneceu até sua morte. Daí até sua
morte em 430, empenhou-se na administração episcopal, estudando e escrevendo.
Suas Obras Agostinho é
apontado como o maior dos Pais da Igreja. Ele deixou mais de 100 livros, 500
sermões e 200 cartas. Suas obras mais importantes foram: Confissões, obra
autobiográfica de sua vida antes e depois de sua conversão;Contra Acadêmicos,
obra onde demonstra que o homem jamais pode alcançar a verdade completa através
do estudo filosófico e que a certeza somente vem pela revelação na
Bíblia;DeDoctrinaChristiana, obra exegética mais importante que escreveu, onde
figuram as suas idéias sobre a hermenêutica ou a ciência da interpretação. Nela
desenvolve o grande princípio da analogia da fé;DeTrinitate, tratado teológico
sobre a TrindadeDeCivitate Dei, obra apologética conhecida como Cidade de Deus.
Com o saque de Roma por Alarico, rei dos bárbaros em agosto 28 de 410, os
romanos creditaram este desastre ao fato de terem abandonado a velha religião
clássica romana e adotado o cristianismo. Nesta obra, põe-se a responder esta
acusação a pedido de seu amigo Marcelino.Agostinho escreveu também muitas obras
polêmicas para defender a fé dos falsos ensinos e das heresias dos maniqueus,
dos donatistas e, principalmente, dos pelagianos. Também escreveu obras
práticas e pastorais, além de muitas cartas, que tratam de problemas práticos
que um administrador eclesiástico enfrenta no decorrer dos anos do seu
ministério. A formulação de uma interpretação cristã da história deve ser tida
como uma das contribuições permanentes deixadas por este grande erudito
cristão. Nem os historiadores gregos ou romanos foram capazes de compreender
tão universalmente a história do homem. Agostinho exalta o poder espiritual
sobre o temporal ao afirmar a soberania de Deus sobre a criação. Esta e outras
inspiradoras obras mantiveram viva a Igreja através do negro meio-milênio
anterior ao ano 1000. Agostinho é visto pelos protestantes como um precursor
das idéias da Reforma com sua ênfase sobre a salvação do pecado original e
atual através da graça de Deus, que é adquirida unicamente pela fé. Sua
insistência na consideração dos sentido inteiro da Bíblia na interpretação de
uma parte da Bíblia (Hermenêutica), é um princípio de valor duradouro para a
Igreja.
Seus últimos meses Durante os
últimos meses de vida, os vândulos tomaram a cidade fortificada de Hipona por
mar e terra. Eles haviam destruído as cidades do Império Romano no Norte da
África e as evidências do Cristianismo. A cidade estava cheia de pobres e
refugiados, e a congregação de Agostinho não era uma excessão. No final de sua
vida, ele foi submetido a uma enfermidade fatal, e com 75 anos ele pediu que
ficasse só, a fim de se preparar para encontrar com o seu Deus. Um ano depois
da morte de Agostinho em 430, os bárbaros queimaram toda a cidade, mas
felizmente, a biblioteca de Agostinho foi salva, e seus escritos se perpetuam
em nosso meio até a nossa era. John Wycliff Reformador e Tradutor da primeira
Bíblia para o inglês.” Nascido na cidade de Yorkshire, Inglaterra, em 1329.
Atendeu à Universidade de Oxford e terminou o doutorado de Teologia em 1372.
Também foi um dos mestres da Universidade de Balliol. Por ser o mais eminente
teólogo de seus dias, teve a oportunidade de ser o capelão do rei Ricardo II
com acesso ao Parlamento, e de traduzir a Bíblia, junto com seus associados, do
Latim para o Inglês.A Corrupção Papal na Inglaterra Equivocamente, muitas
pessoas acham que a volta à Bíblia começou com Calvino e Lutero, os líderes da
Reforma. Ao contrário, antes da Reforma houve tentativas de fazer parar o
declínio do prestígio e do poder do papa através de reformas de várias
espécies.
Os problemas representados por
um papado corrupto e extravagante que morava na França e não em Roma, e pelo
cisma que se seguiu à tentativa de levar de volta o papa para Roma, fomentaram
o ímpeto que levou os reformadores, os concílios reformadores do século XIV e
os humanistas bíblicos, a procurarem formas de produzir um reavivamento
espiritual dentro da Igreja Católica Romana.Ao povo inglês desagradava enviar
dinheiro para um papa em Avignon, que estava sob influência do inimigo da
Inglaterra, o rei francês. Este sentimento nacionalista natural aumentou o
ressentimento real e da classe média, por causa do dinheiro desviado do tesouro
inglês e da administração do estado inglês através dos impostos papais. Naquela
época, a Igreja Romana além de ser riquíssima, possuia um terço de toda a terra
da Inglaterra e era isenta de todos os impostos. Os sete papas que regeram
desde Avignon tinham a reputação de lobos ao invés de pastores de ovelhas, por
causa de sua conduta, suas políticas e ganâncias pelo dinheiro e poder. Foi em
meio a este clima de reação nacionalista contra o eclesiasticismo que Wycliff
entrou em cena desafiando o papa.Os Intentos de uma ReformaAté 1378, Wycliff
queria reformar a Igreja Romana através da eliminação dos clérigos imorais e
pelo despojamento de sua propriedade que, segundo ele, era a fonte da
corrupção. Em uma obra de 1376 intitulada “Of Civil Dominion” (Sobre o Senhorio
Civil), Wycliff exigia uma base moral para a liderança eclesiástica. Deus
concedia aos líderes o uso e a posse dos bens, mas não a propriedade, como um
depósito a ser usado para a sua glória. A falha da parte dos eclesiásticos em
cumprir suas próprias funções era uma razão suficiente para a autoridade civil
tomar os seus bens. Vivendo na época da “Guerra dos Cem Anos” entre a
Inglaterra e França, Wycliff começou sua reforma atacando a autoridade papal em
1378, e a se opor aos dogmas da Igreja Romana, afirmando que Cristo e a Bíblia
eram a autoridade única para o crente . Por causa disso, ele tornou a Bíblia
acessível ao povo comum em sua própria língua. Em 1380, terminou a tradução
completa do Novo Testamento, e em 1382, seu cooperador Nicholas de Hereford,
terminou o Velho Testamento.Os Ensinos de WycliffO papa Gregório XI o condenou,
mas Wycliff foi protegido por várias famílias nobres do reinado, especialmente
pelo Duque de Lancaster, John ofGaunt, filho de Eduardo III.
Também na mesma época, refutou
a doutrina católica da transubstanciação, evidenciando que o padre não podia
reter a salvação das pessoas por ter em suas mãos o “corpo e o sangue de
Cristo” na comunhão. Ele condenou o dogma do purgatório, uso de relíquias,
romarias, venda de indulgências e o ensino da infalibilidade papal. Todos os
seus ensinos foram condenados em Londres, em 1382, e foi obrigado a se retirar
para seu pastorado em Lutterworth.A partir de 1381 até sua morte, Wycliff
dedicou-se ao estudo das Escrituras e a escrever algumas obras muito
importantes que defendiam a veracidade da Palavra de Deus, além da tradução da
Bíblia.
As obras mais proeminentes
foram:
A Verdade das Sagradas
Escrituras: escrita em 1378, na qual ele retrata a Bíblia como regra de fé e
prática, pela qual a Igreja, as tradições, os concílios e inclusive o papa
deveriam ser provados. Ele também escreveu que as Escrituras contêm tudo
necessário para que o homem seja salvo, sem necessidade de tradições
adicionais. Wycliff defendia que as Escrituras deveriam ser lidas por todos os
homens e não somente pelo clérigo.
O Poder do Papa: Escrita em
1379, na qual ele descreve o papado como um ofício instituído pelo homem e não
por Deus. Ele explica que o poder do papa não se extende ao governo secular, e
que sua autoridade não é derivada do seu ofício, mas sim de seu caráter moral e
cristão. Ele dizia que o papa que não seguia a Jesus Cristo, era o
Anticristo.Apostasia: escrita em 1379, na qual ele condena a doutrina romana da
transubstanciação.
Eucaristia: escrita em 1380,
uma extensão da obra anterior, onde ele denuncia esta heresia em vários
aspectos como: inovação recente, filosoficamente incoerente e contrária à
Bíblia Sagrada. Ele condena a Tomás de Aquino e seu ensinamento que diz que o pão
e o vinho se transformam no corpo e sangue de Cristo. Em seu livro, Wycliff
descreve que o pão e o vinho mantém a sua forma, sendo um sacramento em memória
do corpo e do sangue de Cristo. O Resultado do Trabalho de Wycliff O movimento
reformador significou também um protesto e uma reação contra os tempos
atribulados e contra uma igreja decadente e corrompida. Revoltas sociais e
políticas eram comuns no século XIV. A Peste Negra em 1348 e 1349 dizimou pela
morte cerca de um terço da população da Europa. A Revolta dos Camponeses em
1381, na Inglaterra, era uma evidência da insastifação social associada com as
idéias de Wycliff. Para se certificar que o povo inglês não permaneceria nas
trevas dos dogmas católicos, Wycliff fundou um grupo de pregadores leigos chamados
Lolardos, os quais pregaram os seus ensinamentos por toda a Inglaterra, até que
a Igreja Romana em 1401, por força da declaração “De HaereticoComburendo” pelo
Parlamento, introduziu a pena de morte como castigo para os tais pregadores.
Entretanto, estes jamais foram aniquilados. Os Lolardos ajudaram a preparar o
caminho, ainda que ocultamente, para a grande Reforma na Inglaterra. Os boêmios
que estudavam na Universidade de Oxford, ao regressar à sua terra, trouxeram os
ensinos de Wycliff, os quais influenciaram a vida de John Huss e a Reforma da
Boêmia
Sua Condenação Após a MorteAs habilidades de Wycliff influenciaram na preparação do caminho para a reforma na Inglaterra. Em 1384, ele morre de derrame. John Huss, influenciado pelos ensinos de Wycliff, foi tido como herege e queimado na estaca em 1415 pelo Concílio de Constança. Como não seria diferente, Wycliff depois de morto, também foi condenado como herege pelo mesmo Concílio, e 45 de seus ensinamentos foram tidos como heresias. Por causa disso, a Igreja Romana deu ordem para cavar sua sepultura, queimar os seus ossos, e lançar suas cinzas no rio Swift em 1428. John Wycliff foi o principal expoente de medidas reformadoras, e por isso é chamado de “Estrela d’Alva da Reforma”. John HussNascido em Hussinec, na Boêmia, hoje Tchecoslováquia, em 1373, de uma família pobre que vivia da agricultura. Ele recebeu boa educação elementar e cursou na Universidade de Praga (capital atual da República Tcheca), onde terminou seu mestrado em Filosofia no ano de 1396. Dois anos depois, Huss começou ensinar na Universidade, e em 1401, veio a ser o seu reitor. Em 1400, Huss foi separado como padre e foi-lhe entregue a responsabilidade da prestigiada Capela de Belém. Após o casamento do rei inglês, Ricardo II da Inglaterra com Ana, filha do imperador Carlos IV da Boêmia em 1382, os ensinamentos de Wycliff foram logo introduzidos no país. Estudando-os bem de perto, Huss começou não só a pregar, como também traduzir as obras de Wycliff na língua Tcheca.Pregador e Precursor da Reforma na BoêmiaEm 1403, Jan Huss se propôs a reformar a Igreja Romana na Boêmia, ensinando que o papado não tinha nenhuma autoridade de oferecer a remissão dos pecados através da venda de indulgências, como também questionou a legitimidade dos dois papas rivais Gregorio XII e AlexandreV. Por esta razão, em 1408, os incontentos padres e colegas da Universidade de Praga condenaram a Huss, e como resultado, foi proibido de exercer suas funções eclesiásticas em Praga. Um ano depois, ele recebe novas acusações de estar ensinando heresias; mas não para de pregar na Capela de Belém. Em 1411, Huss é excomungado de sua congregação, e todos os cultos, cerimônias de batizado e funeral foram anulados.Tal ato trouxe grande revolta nos cidadãos de Praga, os quais defenderam a Huss. O cúmulo da corrupção papal sucedeu em 1412, quando João XXIII lançou uma cruzada contra o Rei Ladislau de Nápoles, e ofereceu a remissão completa de pecados a todos os que participassem na guerra, ou a venda da indulgência para os que a suportassem. Ao ouvir tal notícia contrária a todos os preceitos bíblicos, Huss se levanta e ataca o papado de usar sanções espirituais e indulgências para fins pessoais e políticos. Em contra-ataque, Jan Huss foi excomungado de Roma e obrigado a deixar Praga.A Intimidação Se Inicia Durante o seu exílio, Huss teve a oportunidade de concluir uma de suas obras mais importantes, “De Ecclesia”. No ano de 1414, os líderes da Igreja Romana se reuniram para um Concílio em Constança (atualmente na Alemanha), e John Huss foi convocado a comparecer a fim de esclarecer seus ensinos controversiais com o da Igreja. O imperador Boêmio, Sigismund, prometeu salvo-conduto, mas, após um mês em Constança, os seguidores do Papa João XXIII o prenderam, e ele foi impelido pelo Concílio de se retratar. Husspermanceceu preso durante os sete meses de seu julgamento, e pouca oportunidade foi-lhe dada de se defender. Por não voltar atrás, Jan Huss foi condenado como hereje, despido e queimado na estaca fora da cidade no dia 6 de julho de 1415. Huss morreu cantando o hino em grego “Kyrie eleeson” (Senhor, tem misericórdia). O local de sua morte é marcado até hoje com uma pedra memorial. Como Wycliff, Huss lutou pela reforma da Igreja pagando o preço com sua vida. Os perseguidores destruíram o corpo, mas não os ensinos de Huss, que foi espalhado por toda a Europa por seus discípulos mais radicais, conhecidos como Taboritas. Estes rejeitaram tudo na fé e na prática da Igreja Romana que não se encontrasse na Bíblia. Destes discípulos surgiu a Igreja Moraviana, a qual tornou-se mais tarde numa das igrejas de mais visão missionária da História da Igreja. O resultado do trabalho de Huss e de tantos outros foi vista um século depois, na pessoa de Lutero. William TyndaleNascido em 1494, na parte oeste da Inglaterra, Tyndale graduou-se na Universidade de Oxford em 1515, onde estudou as Escrituras no Hebraico e no Grego. Quando tinha 30 anos, fez uma promessa que haveria de traduzir a Bíblia para o Inglês, a fim de que todo o povo, desde o camponês até a corte real, pudesse ler e compreender as Escituras em sua própria língua. A Igreja Católica proibia severamente qualquer pessoa leiga ler a Bíblia. Segundo o clero, o povo simples não podia compreender as Sagradas Letras, e tinha que ter a sua ajuda. A interpretação era feita segundo a sua conveniência, e esta para fins políticos e financeiros.O Reformador Inglês e Tradutor da Bíblia
Sua Condenação Após a MorteAs habilidades de Wycliff influenciaram na preparação do caminho para a reforma na Inglaterra. Em 1384, ele morre de derrame. John Huss, influenciado pelos ensinos de Wycliff, foi tido como herege e queimado na estaca em 1415 pelo Concílio de Constança. Como não seria diferente, Wycliff depois de morto, também foi condenado como herege pelo mesmo Concílio, e 45 de seus ensinamentos foram tidos como heresias. Por causa disso, a Igreja Romana deu ordem para cavar sua sepultura, queimar os seus ossos, e lançar suas cinzas no rio Swift em 1428. John Wycliff foi o principal expoente de medidas reformadoras, e por isso é chamado de “Estrela d’Alva da Reforma”. John HussNascido em Hussinec, na Boêmia, hoje Tchecoslováquia, em 1373, de uma família pobre que vivia da agricultura. Ele recebeu boa educação elementar e cursou na Universidade de Praga (capital atual da República Tcheca), onde terminou seu mestrado em Filosofia no ano de 1396. Dois anos depois, Huss começou ensinar na Universidade, e em 1401, veio a ser o seu reitor. Em 1400, Huss foi separado como padre e foi-lhe entregue a responsabilidade da prestigiada Capela de Belém. Após o casamento do rei inglês, Ricardo II da Inglaterra com Ana, filha do imperador Carlos IV da Boêmia em 1382, os ensinamentos de Wycliff foram logo introduzidos no país. Estudando-os bem de perto, Huss começou não só a pregar, como também traduzir as obras de Wycliff na língua Tcheca.Pregador e Precursor da Reforma na BoêmiaEm 1403, Jan Huss se propôs a reformar a Igreja Romana na Boêmia, ensinando que o papado não tinha nenhuma autoridade de oferecer a remissão dos pecados através da venda de indulgências, como também questionou a legitimidade dos dois papas rivais Gregorio XII e AlexandreV. Por esta razão, em 1408, os incontentos padres e colegas da Universidade de Praga condenaram a Huss, e como resultado, foi proibido de exercer suas funções eclesiásticas em Praga. Um ano depois, ele recebe novas acusações de estar ensinando heresias; mas não para de pregar na Capela de Belém. Em 1411, Huss é excomungado de sua congregação, e todos os cultos, cerimônias de batizado e funeral foram anulados.Tal ato trouxe grande revolta nos cidadãos de Praga, os quais defenderam a Huss. O cúmulo da corrupção papal sucedeu em 1412, quando João XXIII lançou uma cruzada contra o Rei Ladislau de Nápoles, e ofereceu a remissão completa de pecados a todos os que participassem na guerra, ou a venda da indulgência para os que a suportassem. Ao ouvir tal notícia contrária a todos os preceitos bíblicos, Huss se levanta e ataca o papado de usar sanções espirituais e indulgências para fins pessoais e políticos. Em contra-ataque, Jan Huss foi excomungado de Roma e obrigado a deixar Praga.A Intimidação Se Inicia Durante o seu exílio, Huss teve a oportunidade de concluir uma de suas obras mais importantes, “De Ecclesia”. No ano de 1414, os líderes da Igreja Romana se reuniram para um Concílio em Constança (atualmente na Alemanha), e John Huss foi convocado a comparecer a fim de esclarecer seus ensinos controversiais com o da Igreja. O imperador Boêmio, Sigismund, prometeu salvo-conduto, mas, após um mês em Constança, os seguidores do Papa João XXIII o prenderam, e ele foi impelido pelo Concílio de se retratar. Husspermanceceu preso durante os sete meses de seu julgamento, e pouca oportunidade foi-lhe dada de se defender. Por não voltar atrás, Jan Huss foi condenado como hereje, despido e queimado na estaca fora da cidade no dia 6 de julho de 1415. Huss morreu cantando o hino em grego “Kyrie eleeson” (Senhor, tem misericórdia). O local de sua morte é marcado até hoje com uma pedra memorial. Como Wycliff, Huss lutou pela reforma da Igreja pagando o preço com sua vida. Os perseguidores destruíram o corpo, mas não os ensinos de Huss, que foi espalhado por toda a Europa por seus discípulos mais radicais, conhecidos como Taboritas. Estes rejeitaram tudo na fé e na prática da Igreja Romana que não se encontrasse na Bíblia. Destes discípulos surgiu a Igreja Moraviana, a qual tornou-se mais tarde numa das igrejas de mais visão missionária da História da Igreja. O resultado do trabalho de Huss e de tantos outros foi vista um século depois, na pessoa de Lutero. William TyndaleNascido em 1494, na parte oeste da Inglaterra, Tyndale graduou-se na Universidade de Oxford em 1515, onde estudou as Escrituras no Hebraico e no Grego. Quando tinha 30 anos, fez uma promessa que haveria de traduzir a Bíblia para o Inglês, a fim de que todo o povo, desde o camponês até a corte real, pudesse ler e compreender as Escituras em sua própria língua. A Igreja Católica proibia severamente qualquer pessoa leiga ler a Bíblia. Segundo o clero, o povo simples não podia compreender as Sagradas Letras, e tinha que ter a sua ajuda. A interpretação era feita segundo a sua conveniência, e esta para fins políticos e financeiros.O Reformador Inglês e Tradutor da Bíblia
Com este desejo em seu
coração, Tyndale partiu para Londres em 1523, buscando um lugar que pudesse dar
início ao seu projeto. Não sendo recebido pelo bispo de Londres,
HumphreyMunmouth, um comerciante de tecido, lhe deu todo apoio necessário. Em
1524, Tyndale foi obrigado a deixar a Inglaterra e partir para Alemanha, para
dar continuidade ao seu trabalho, em vista das grandes perseguições por parte
da Igreja Católica. A proibição da leitura da Bíblia agravou-se de tal maneira,
que até mesmo se uma criança recitasse a oração do “Pai Nosso” em inglês, toda
sua família era condenada a ser queimada na estaca. Na Alemanha, ele se estabeleceu
na cidade de Hamburgo, e provávelmente conheceu a Martinho Lutero, pois eram
contemporâneos. Ambos traduziram o Novo Testamento baseado no Manuscrito Grego
compilado por Erasmo em 1516. William Tyndale concluiu a tradução do Novo
Testamento em 1525. Quinze mil cópias em seis edições foram impressas pela
proteção de Thomas Cromwell, um vice-regente do rei Henrique VIII, e
contra-bandiadas através de comerciantes para a Inglaterra, entre os anos de
1525 a 1530.
A Intimidação Começa.
As autoridades da Igreja
Romana deram ordem para confiscar e queimar todas as cópias da tradução de
Tyndale, porém eles não podiam parar o fluxo da entrada de Bíblias vindas da
Alemanha para a Inglaterra. Até mesmo na Escócia, os mercadores escoceses estavam
levando a Bíblia para o seu povo. O próprio William não podia regressar à
Inglaterra, pois estava sendo buscado e tido como um “fora-da-lei”, a leitura
de seus escritos e tradução haviam sido legalmente proibidos. Contudo, ele
continuou suas revisões e correções até que sua edição final do Novo Testamento
foi cumprida em 1535. Com esta conclusão, Tyndale iniciou a tradução do Velho
Testamento, porém não viveu bastante a ponto de terminá-la. Ele traduziu o
Pentateuco, o livro de Jonas e alguns livros históricos. Em Maio de 1535,
Tyndalefoi preso e levado a um castelo perto de Bruxelas onde ficou aprisionado
por mais de um ano. Durante este tempo, um de seus companheiros, Miles
Coverdale, concluiu a tradução do Velho Testamento, baseada na tradução de seu
companheiro. Chegou o dia do julgamento de William Tyndale, ele foi condenado à
morte por haver colocado as Escrituras na mão do povo inglês. No dia 6 de
Outubro de 1536, ele foi estrangulado e logo após queimado na estaca em
público. Porém, suas últimas palavras antes de morrer foram: “Senhor, abre os
olhos do Rei da Inglaterra.”
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
A IMPORTÂNCIA DO SABER CUIDAR NA PRÁTICA PASTORAL[1]
A importância do saber cuidar na prática
pastoral[1]
Ary Carvalho Junior[2]
Resumo
O
presente artigo oferece um panorama sobre a importância do cuidado pastoral em
suas dimensões bíblica, teológica e psicoterapêutica, focalizado no
desenvolvimento das pessoas e da congregação.
Mostra a dimensão conceitual do cuidado, bem como os seus significados e
a prática do aconselhamento como forma de
cuidado pastoral nos dias atuais.
Palavras-chave: cuidado, aconselhamento
pastoral, ética.
THE IMPORTANCE OF KNOWING
TO TAKE CARE OF IN THE PRACTICAL PASTORAL
Abstract
The present article offers a panorama on the importance of the pastoral
care in its dimensions biblical, theological and psicotherapeutic, focused in
the development of the people and the congregation. It shows the conceptual dimension of the
care, as well as its meanings attributed for some authors and the practical one
of the counseling as form of pastoral care in the current days.
Key-words: care, pastoral care, ethical.
INTRODUÇÃO
A intenção deste texto, não é
simplesmente ponderar sobre o cuidar como uma atitude de ocupação,
preocupação, de responsabilidade e de envolvimento afetivo com o outro, mas
sim, mostrar que o cuidado pastoral é o sinal da presença de Jesus, e quem
concede este cuidado, precisa ser um mensageiro da esperança e da cura de
Cristo.
O cristianismo nos apresenta o Deus
Encarnado, Jesus de Nazaré, como alguém que dispensou cuidados, inclusive
tocando pessoas enfermas, curando-as e colocando as mãos sobre a cabeça das
crianças, abençoando-as. O cuidado de
Jesus para com os outros era imensamente prático.
A sociedade atual conseguiu
desenvolver uma comunicação superficial em que se fala muito e, às vezes,
animadamente, mas sem interação pessoal, sem revelar quem realmente é o falante
e quem é o ouvinte. Os relacionamentos atuais são úteis para a manutenção dos
vínculos de amizades dentro de um grupo ou comunidade, mas pouco revela da
personalidade, do caráter, do jeito de ser dos indivíduos, mantendo-se
escondidos nas mais diversas formas.
A técnica do aconselhamento
pastoral precisa ser organizada. Os
pastores e agentes pastorais precisam resgatar o sentido primevo, que se
reflete na palavra cuidar. O pastor é aquele
que provê alimento. Este alimento, que é
a palavra de Deus, unida às ações reais no cotidiano das pessoas, precisa
conduzi-las a formação de Cristo nas suas vidas. O cuidado pastoral vai sempre
acontecer em um campo aberto, onde pensamentos, valores, anseios, sentimentos
aflorarão na medida em que esta pessoa vai se abrindo para a transformação da
mente e do coração. A este respeito, Mack[3]
(2004, p. 12), escreve:
O
aconselhamento verdadeiramente cristão está fundamentado, de modo consciente e
abrangente, na Bíblia, extraindo dela a sua compreensão a respeito de quem é o
homem, da natureza de seus problemas, dos “porquês” destes problemas e de como
resolvê-los. Em outras palavras, o conselheiro precisa estar comprometido, de
modo consciente e envolvente, com a suficiência das Escrituras para resolver e
compreender todas as dificuldades não-físicas, relacionadas ao pecado, que
afetam o próprio indivíduo e seu relacionamento com os outros. Muitos em nossos
dias se declaram conselheiros cristãos, mas não afirmam a suficiência das
Escrituras. Em vez disso, eles crêem que precisamos de discernimento
proveniente de teorias psicológicas e extra-bíblica para compreendermos e
ajudarmos as pessoas, especialmente se elas têm problemas sérios. Para tais
conselheiros, a Bíblia possui autoridade apenas designadora (ou seja, como um
instrumento que nomeia) e não funcional (atual, genuína e respeitada quanto à
pratica) no aconselhamento. Estes conselheiros reconhecem que a Bíblia é a
Palavra de Deus e, por isso, digna de respeito, mas, quando se refere a
entender e resolver muitos dos problemas autênticos da vida, eles crêem que a
Bíblia possui valor limitado. Onde quer e por quem quer que seja realizado esse
tipo de aconselhamento, somos convencidos de que, embora o conselheiro seja um
crente, seu aconselhamento é sub-cristão, porque não está fundamentado, de modo
consciente e abrangente, na Bíblia.
Todo processo de cuidado
pastoral é uma ação ou realização continuada e prolongada de alguma atividade
que vise, ao final, o bem-estar daquele que necessita de cuidados. Trilhar esse caminho de auxílio ao outro exige
uma análise critica dos fatores que envolvem a vida da pessoa em questão. Isso
pode revelar as diversas origens do problema e, também, direcionar para os
melhores caminhos a fim de solucioná-los.
A filologia do cuidar
No
exemplo da compaixão do cristianismo ao longo dos séculos, encontramos a força
do cuidado, do desejo de dedicar-se ao outro com interesse, compromisso, e
muito amor. Jesus, os apóstolos e a igreja cristã têm dado sentido ao cuidar,
através de incontáveis exemplos registrados na Bíblia e na história da
humanidade. O cristianismo entendeu sua forma de ser no mundo caminhando pelo
cuidado.
Conforme Leonardo Boff[4]
(2001, p. 33), a palavra cuidado tem a mesma raiz da palavra cura. Em sua forma mais antiga, no latim, cura
escrevia-se coera e era usada num contexto de relações de amor e
amizade. No entanto, lembra o próprio autor, outros pesquisadores consideram-na
derivada de cogitare-cogitatus, no latim, cujo sentido é o mesmo de
cura: cogitar, pensar, colocar atenção, mostrar interesse, revelar uma atitude
de desvelo e de preocupação.
O cuidado (cogitatu,
ou seja, pensado) somente surge quando a existência de alguém tem importância
pessoal. Cuidado significa, então, desvelo, solicitude, diligência, zelo,
atenção, bom trato. O cuidado tem sido lugar de encontro interdisciplinar de
saberes que se projetam tanto no ser humano quanto no cosmos. É possível o
cuidado a objetos, plantas, animais, rios, pessoas ou ao planeta Terra.
A partir desse valor
substantivo emerge a dimensão de alteridade, de respeito, de sacralidade, de
reciprocidade e de complementaridade. Leonardo Boff destaca que “o cuidado
significa uma constituição ontológica sempre subjacente, sendo a constituição
ontológico-existencial mais original do ser humano”. O autor defende uma
relação entre cuidado e compaixão, compreendendo o ser humano como um “ser de
cuidado e de compaixão".
Cuidado significa, então, desvelo, solicitude, diligência, zelo,
atenção, bom trato. Trata-se, como se depreende, de uma atitude fundamental.
Como dizíamos anteriormente, cuidado implica um modo-de-ser mediante o qual a
pessoa sai de si e se centra no outro com desvelo e solicitude. Temos, nas
línguas latinas, a expressão “cura d’almas” para designar o sacerdote ou o
pastor cuja incumbência reside em cuidar do bem espiritual das pessoas e
acompanhá-las em sua trajetória religiosa. Tal diligência não se faz sem fino
trato, sem zelo e dedicação, semesprit definesse, como convém
às coisas espirituais.
(BOFF, 2001, p. 33)
Na atividade pastoral, o
cuidado é condição sine-qua-non, pois cuidar pressupõe que há alguém que cuida
e alguém que é alvo desse cuidado.
Assim como Leonardo Boff,
em Saber Cuidar, lembra-nos da importância do cuidado a partir do
ato de cativar. Ao se cativar alguém, ganha-se sua simpatia, sua estima, seu
querer bem. Em contrapartida, essa palavra dá origem à outra, nada simpática:
cativeiro, que significa prisão, escravidão, sofrimento.
O aconselhamento como forma de cuidado pastoral
"Vinde a mim, todos os que estais cansados e
sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de
mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa
alma. Porque o meu jugo é suave, e meu fardo é leve."
Mateus 11.28
Max
Lucado (2002) em seu livro “Aliviando a Bagagem” destaca: “De todos os animais
criados por Deus, a ovelha é a menos capaz de cuidar de si própria”.
Não
foi por acaso que Davi escolheu a ovelha para ilustrar o ser humano. Assim como
as ovelhas precisam e dependem de um pastor, o ser humano precisa de um pastor
que o ajude a entender qual a melhor direção a seguir, o melhor alimento para a
sua alma, o melhor lugar para repousar e recompor suas forças, o ser humano
precisa e muito de Deus.
O pastoreio depende essencialmente do
amor de Deus pelas suas ovelhas. O amor, biblicamente falando, não é definido apenas
como um sentimento. O amor se expressa em ações concretas na relação com a
pessoa amada. O vocábulo grego ágape
traduzido por amor nos textos do Novo Testamento, pressupõe sacrifício e
disponibilidade pessoais em relação à pessoa amada. Davi, diz que o Senhor
Deus, na condição de Grande Pastor, vivencia esse amor em ações concretas.
Paul Tillich (1959, p.21) assevera que
o cuidar é universalmente humano: "O cuidar é universalmente humano.
Ninguém pode cuidar de si mesmo em todas as situações. Ninguém pode, até mesmo,
falar a si próprio sem que lhe tivesse sido falado por outrem”.
Ronaldo Sathler
Rosa (2004) em “Cuidado Pastoral em Tempos de Insegurança” trabalha como eixo
central o tema do cuidar, cuidar como elemento fundamental nas relações que
procurem à fidelidade e que motivem o serviço para o livre caminhar das
pessoas, grupos, famílias no difícil caminho do abandono de si mesmas.
Aconselhamento Pastoral pode ser
definido como um processo através do qual “as pessoas se encontram para repartir
lutas e esperanças”. A motivação para o exercício dessa modalidade de cuidado
tem raízes, especialmente, na mensagem bíblica do Reino de Deus que anuncia a
Boa Nova para a humanidade. Nessa tarefa podemos recorrer, além dos recursos
tradicionais do pastoreio cristão, tais como as Escrituras, a tradição, a
oração, os meios de graça e a teologia, às ciências que investigam a natureza
humana e que têm como compromisso a busca da plena saúde humana. Wayne Oates (1974, p. 9-10) define
Aconselhamento Pastoral como:
[...] “disciplina não-médica cujos
objetivos essenciais são facilitar e agilizar o crescimento da personalidade;
ajudar as pessoas a modificarem padrões de vida com os quais estão
insatisfeitas e prover companheirismo e sabedoria para as pessoas que estão
enfrentando perdas e desapontamentos.”
Vivemos em um mundo em que muitos se
sentem solitários. Às vezes não têm a quem procurar para dividir suas
preocupações, suas lutas e suas alegrias. A figura do pastor representa, para
muitos, um porto seguro onde as pessoas podem se ancorar, narrar suas
dificuldades e, mais importante, podem ser ouvidas com atenção. Quando se
encontra alguém disposto a ouvir essa atitude cria condições para que as
pessoas ganhem novas perspectivas sobre si mesmas e sua existência.
É preciso dar atenção às palavras
ditas pelas pessoas que procuram apoio pastoral. É fundamental entender que
para quem está falando não foi fácil chegar até esse momento de procurar ajuda
e expor a sua vida. Nesse caso, fala-se, também, através do longo silêncio e
dos espaços silenciosos, do olhar com ternura e interesse. É preciso aceitá-los
como expressão de sentimentos difíceis de serem ventilados. Podemos aprender a
“ouvir” o silêncio de outras pessoas, suas expressões e a nos sentirmos à
vontade com o nosso próprio silêncio diante do inexplicável, do imponderável,
do inesperado. O silêncio também fala. E a Palavra pode desvelar-se no
silêncio. Como lembra G. Gutierrez (1984 p. 44), “a teologia é um falar
enriquecido por um calar”.
O Aconselhamento Pastoral tem como
objetivo promover a maturidade cristã, ajudar as pessoas amadurecerem, entrando
numa experiência mais rica de adoração a Deus, numa vida mais efetiva de
serviço a Deus e ao próximo, em todos os momentos e circunstâncias da vida. Deve levar o aconselhando a deportar-se com
todos e quaisquer problemas da vida, com uma determinação de agir coerentemente
com as Escrituras. E conseqüentemente desenvolvendo um caráter interior que se
conforme com o caráter (atitude) crenças e propósitos de Cristo.
O pastor, ao lidar com problemas
apresentados, deve levar em conta a dignidade da imagem de Deus e a depravação
do pecado como sendo elementos fundamentais do ser humano, tendo compaixão pelo
pastoreado e sabedoria para falar do pecado, como algo possível de se
abandonado em prol de uma nova forma de vida. O Teólogo
Julio César Zabatieiro
diz que para o pastor cuidar bem do rebanho de Cristo ele
precisa primeiro ser cuidado pelo Supremo Pastor.
Muitos pastores e modelos
pastorais hoje têm uma visão do cuidado pastoral na moldura da multidão no
templo, do frenesi momentâneo produzido na reunião, na cura realizada, nas
campanhas destituídas de afeto relacional e de interesse genuíno na dor do
outro.
O cuidado pastoral não pode ser
somente via púlpito, via
reunião em suas várias expressões, mas ele deve seguir o modelo cristológico da
aproximação, da compreensão, da percepção, da misericórdia, do ensino curador,
libertador, do envolvimento em todas as facetas da vida desde a alegria até a
tristeza, a dor, desde a vida ate a morte desde o ganho ate a perda. Ele deve
estar solidificado na justiça e na paz.
Henry Nouwen (2001) em seu livro “O Sofrimento que Cura”,
mostra que o cuidado pastoral contemporâneo deve ser margeado também por uma
compreensão do componente humano, mostrando também a visão macro do ministério
e do cuidado pastoral que abrange não só a “igreja”, mais o “bairro”, a
“cidade” e o “mundo” do Senhor. Um cuidado integralizado,
pois Jesus Cristo, modelo de cuidado pastoral, não armou a sua tenda num
“gabinete pastoral” e esperou as pessoas virem a ele, mas ele armou sua tenda
de cidade em cidade, abençoando as vidas na busca do perdido, na busca da
justiça em seu tom integral, na busca do fraco, dos injustiçados, na busca dos
que não tinham amigos, na busca do perdido.
Jesus Cristo, em seu cuidado pastoral, não priorizou
a multidão mais o indivíduo que
faz parte da multidão. Hoje essa atitude
é bem diferente. Muitos pastores
valorizam o aglomerado humano como massa de manobra do que o indivíduo como
imagem de Deus, priorizam o reino aqui e agora e o patrulhamento ideológico
como sucesso terreno, gloria humana, corredor da fama, trocadilho financeiro,
promessas de um pseudo Celeste por vir em contornos humanistas, e uma ênfase
demasiada na pregação egocêntrica e das necessidades.
A reformulação da excelência do ministério e do
cuidado pastoral é
sem dúvida necessária e urgente e deve ter a cruz de Cristo como modelo. David Hansen (2001) em seu livro
“A Arte de Pastorear”,
diz que o cuidado pastoral e o ministério pastoral jamais podem
ser dirigidos por tendências contemporâneas como modismo, tarefas, entre
outros. Ele faz uma crítica aos teólogos
profissionais que reduziram o trabalho pastoral em realização de coisas e isso
gera uma falta de tempo para a leitura já que os teólogos profissionais
reclamam que pastores quase não lêem.
Ele diz que devemos prestar atenção em duas
áreas do ministério de Jesus Cristo que é importante para esse resgate do
excelente: Primeiro o seu “ministério” e segundo o “roteiro de sua vida”.
O Aconselhamento Pastoral
hoje constitui dentro dos princípios e das práticas cristãs, um dos setores
específicos do ministério do Pastor. Pois o Aconselhamento Pastoral abrange uma
área de especialização na teologia pastoral. Tem como propósito, dentre outros,
a re-orientação para a vida, educação, higiene mental, recondução e a
administração da vida espiritual.
Tem como objetivo, ajudar a pessoa a
enfrentar eficazmente a situação difícil e voltar ao seu nível comum de comportamento.
Diminuir a ansiedade, a apreensão e outros tipos de insegurança que possam
persistir depois de ter passado a crise. Ensinar técnicas de solução de crises,
a fim de que a pessoa fique melhor preparada para antecipar e tratar das crises
futuras. E considerar os ensinos bíblicos sobre as crises, a fim de que a
pessoa aprenda com as mesmas e cresça como resultados dessa experiência.
O
CUIDADO E A ÉTICA PASTORAL
Richard L. Mayhue[5] mostra quais são as responsabilidades básicas do
pastor baseado na epístola do apóstolo Paulo aos irmãos de Tessalônica:
Orar (I Ts.1.2,3;3.9-13); Evangelizar (I Ts.1.4,5,9,10); Capacitar (I Ts.1.6-8); Defender (I Ts. 2.1-6); Amar (I Ts. 2.7,8); Labutar (I Ts.2.9); Exemplificar (ITs.2.10); Liderar (I Ts.2.10-12); Alimentar (I Ts. 2.13); Vigiar (I Ts.3.1-8); Alertar (I Ts. 4.1-8); Ensinar (I Ts. 4.9-5.11); Exortar (I Ts. 5.12-24); Encorajar (II Ts. 1.3-12); Corrigir (II Ts. 2.1-12); Confrontar (II Ts. 3.6,14) e Resgatar (II Ts. 3.15).
Orar (I Ts.1.2,3;3.9-13); Evangelizar (I Ts.1.4,5,9,10); Capacitar (I Ts.1.6-8); Defender (I Ts. 2.1-6); Amar (I Ts. 2.7,8); Labutar (I Ts.2.9); Exemplificar (ITs.2.10); Liderar (I Ts.2.10-12); Alimentar (I Ts. 2.13); Vigiar (I Ts.3.1-8); Alertar (I Ts. 4.1-8); Ensinar (I Ts. 4.9-5.11); Exortar (I Ts. 5.12-24); Encorajar (II Ts. 1.3-12); Corrigir (II Ts. 2.1-12); Confrontar (II Ts. 3.6,14) e Resgatar (II Ts. 3.15).
A comunicação, na prática do aconselhamento
pastoral precisa ser terapêutica, embora o processo de aconselhamento não seja
‘terapia’, em sentido estritamente técnico-profissional. Ou seja, em seu modo
próprio, proclama a Palavra de salvação - cuja expressão na Bíblia acha-se
associada a termos tais como ‘saúde’, ‘paz’, ‘bem-estar’, que se torna visível,
também, em condições gerais de bem-estar, na saúde e em relacionamentos
significativos. Além disso, pastores e pastoras devem honrar o compromisso da
confidencialidade.
Em seu livro “Despertando para um
Grande Ministério”, H.B London Jr. e Neil B. Wiseman pensando em termos
ministeriais dizem que:
Toda a responsabilidade é terra
santa por que Jesus se entregou pelas pessoas que vivem ali. Todo lugar é
importante por que Deus quer que você realize algo sobrenatural ali. Toda
situação é especial por que o ministério é necessário ali. Como a Rainha Ester,
você veio para o Reino para um tempo como este. (LONDON JR & WISEMAN,1996,
p.20).
Isso é um fato importante
a ser tratado por que o cuidado pastoral deve ser elevado á um grau de
excelência e não uma peça decorativa na atividade poimênica. A igreja corpo de
Cristo tem que ser cuidada, protegida, amada, curada, sanada, crescente e isso
somente acontecerá a partir de uma visão cristológica.
Como a rainha Ester (Ester 4.16), este
é o nosso tempo e não podemos deixar escapar o sobrenatural de Deus nas vidas
das pessoas a partir de um cuidado pastoral sadio. O Brasil contemporâneo a
nível eclesial tem enfrentado muitos problemas no campo eclesiástico e
doutrinal em virtude do pragmatismo e o afastamento dos princípios da palavra
de Deus, porém urge a hora que Deus nos chama para fazer diferença em épocas
nebulosas.
Com a Bíblia nas mãos e com o coração
encharcado de misericórdia e compaixão, é possível celebrar a comunhão como
caminho de cura e ação terapêutica no cuidado pastoral como expressou o Dr. Larry Crabb (2000) em seu
livro “O lugar mais seguro da Terra”.
O cuidado pastoral não é feito somente por uma
única pessoa e sim pela comunidade da fé, esse cuidado
também não está trancado no chão geográfico eclesial mais ele
se move em busca do aflito em solução de conflito apaziguando as beligerâncias
humanas. Ele se mistura e se envolve no drama do outro e no rosto do outro
contempla a face de Deus.
Esse cuidado pastoral não se move em busca de honra, favor, glória, fama mais ele se
posiciona como se posicionou o bom samaritano que atendeu o ferido sem pedir
nada em troca e viu no outro o seu próximo.
Conclusão
O objeto do ministério pastoral
resume-se numa única palavra: gente. Gente no sentido de indivíduo, de pessoa
como entidade, única e incomparável. Gente de todo tipo, pois uma das grandes
marcas da igreja de Cristo é a diversidade. A igreja é formada por indivíduos,
cada um com sua história de vida, com seus talentos e com suas necessidades. E
muitas dessas necessidades exigem que o pastor esteja preparado a prestar nada
menos que um atendimento personalizado e sob medida.
O aconselhamento é o remédio
que o pastor tem em mãos para tratar as feridas emocionais que muitas ovelhas
carregam pela vida.
Utilizar-se das Escrituras para exercer o
aconselhamento é uma tarefa sábia para os pastores que estão comprometidos com
o crescimento espiritual de suas ovelhas.
A prática do aconselhamento
pastoral é fundamental na sociedade em que vivemos. As pessoas continuam com
problemas, mas a igreja pode ajudá-las a vencer a si mesmas, às dificuldades
interiores e aos obstáculos que se formaram no decorrer de sua existência. As
pessoas precisam ser cuidadas, necessitam de apoio para continuar sobrevivendo
e há métodos que podem ser utilizados pelo conselheiro pastoral.
Esse conselheiro não precisa
ser necessariamente o pastor da igreja. Membros da igreja podem receber
treinamento teórico e prático para auxiliar a liderança da igreja e ajudar
aqueles que necessitam de cuidados.
À medida que entendemos que
a igreja é uma comunidade terapêutica, uma comunidade da poimênica, que presta
assistência, promove cura e possibilita crescimento, então é certo dizer que
também cabe ao pastor a tarefa de treinar a igreja nesta vocação, a fim de que
seus membros desenvolvam na prática a verdade do “sacerdócio universal de todos
os santos”, sendo ministros uns dos outros. O papel do pastor consiste em
treinar, inspirar e supervisionar as pessoas leigas no ministério.
Podemos perceber então a
importância do trabalho pastoral na transformação de uma igreja local em
comunidade terapêutica. Pastores saudáveis e equilibrados, ou pelo menos
conscientes de suas limitações e em busca de sua integralidade, saberão
orientar os membros rumo ao crescimento. Por outro lado, pastores sem esta
consciência, desfocados de sua integralidade, dificultarão e prejudicarão o
desenvolvimento dos membros de sua comunidade.
Poderíamos dizer então que, neste caso, pastores nervosos gerarão igrejas neuróticas. Quão grande é a responsabilidade do pastor quanto ao bem estar e crescimento da igreja rumo ao cumprimento de sua missão integral.
Poderíamos dizer então que, neste caso, pastores nervosos gerarão igrejas neuróticas. Quão grande é a responsabilidade do pastor quanto ao bem estar e crescimento da igreja rumo ao cumprimento de sua missão integral.
ReferÊncias
BOFF, Leonardo. Saber Cuidar. 7ª ed. Petrópolis: Vozes, 2001.
CRAAB, L. O
Lugar mais seguro da Terra. São Paulo: Mundo Cristão, 2000.
GUTIERREZ,
Gustavo. Falar sobre Deus. Concilium, 1984.
HANSEN, David. A arte de pastorear.
São Paulo: Shedd Publicações, 2001.
LONDON H.B. - WISEMAN Neil Despertando Para um Grande Ministério: Um
Livro de Pastor para Pastor. Traduçao Guilherme Kerr. Sao Paulo: Editora
Mundo Cristao 1996.
LUCADO, Max. Aliviando a bagagem. RJ: CPAD, 2002.
MACK, Wayne.
Características distintivas do
aconselhamento cristão: Fé para hoje.
São José dos Campos, SP, 2004.
MACARTHUR, JOHN. Redescobrindo o Ministério Pastoral: Moldando o Ministério
Contemporâneo aos Preceitos Bíblicos. Traduçao Lucy Yamakami. Rio de
Janeiro: Editora CPAD. 1999.
MAYHUE, Richard L. “A Família do Pastor”,
cp. 9 em John MacArthur, Jr. Redescobrindo
o Ministério Pastoral. RJ: CPAD, 1999.
NOUEWN Henri, O Sofrimento que Cura: Por meio de Nossas próprias feridas, podemos nos
tornar fonte de Vida para o Outro, traduçao Pedro Elyseu Scweitzer, Sao
Paulo: Ediçoes Paulinas, 2001.
OATES, Wayne. The Bible in Pastoral
Care. Philadelphia, Westminster, 1953.
SATHLER-ROSA, Ronaldo. Cuidado Pastoral em Tempos de Insegurança.
Uma Hermenêutica Contemporânea. São Paulo: ASTE, 2004.
ZABATIERO, Julio. Cuida (n) do – A Arte do Pastorado, out. – dez 2001.
1 Artigo elaborado a partir das normas da ABNT para a
disciplina de Redação Acadêmica do Curso de Graduação em Teologia da Faculdade
Evangélica do Paraná – FEPAR.
[2] Graduando em Teologia pela Faculdade
Evangélica do Paraná – FEPAR.
[3] Wayne Mack
é professor de aconselhamento bíblico no The Master’s College, Califórnia
(EUA).
[4] Leonardo Boff é
teólogo, filósofo e escritor, autor de numerosas obras.
[5] Richard L. Mayhue que faz parte
do corpo docente do “Máster Seminary” e uns dos colaboradores do livro
“Redescobrindo o ministério pastoral: Moldando o ministério Contemporâneo aos
Preceitos Bíblicos”.
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